Uma mulher negra de cabelos longos trançados está sentada em uma cama, abraçando os joelhos e com a cabeça para baixo.

Vulvodínea: um simples toque na vulva pode ser insuportável

Dor, ardência, queimação, sensação de “facada” na penetração. Descubra os sintomas, as causas e os tratamentos

Por Laíse Veloso

Imagine sentir uma dor intensa na vulva simplesmente por vestir uma roupa justa (como uma legging e uma calça jeans skinny) ou ficar sentada durante um período mais longo... Andar de bicicleta e moto? Quase impossível. Pessoas que sofrem de vulvodínea também não conseguem inserir tampões ou coletores menstruais na vagina. Mas a maior queixa delas, sem dúvida, é a incapacidade de ter prazer na relação sexual. O sexo dói pelo estímulo direto na vulva, mesmo que o toque seja sutil. Os sintomas variam de ardência e queimação local até sensação de “facada” em tentativas de penetração.

O que é, tipos e causas

A vulvodínea é uma condição em que há dor na região da vulva de forma crônica, com mais de três meses de duração, e sem uma causa específica. É comum que o diagnóstico demore para ser fechado, levando a uma peregrinação entre consultórios médicos. Por alguma razão ainda pouco entendida pela ciência, a pessoa passa a apresentar dor vulvar a partir de um estímulo que normalmente não geraria tamanho incômodo - como um pedaço de algodão, por exemplo.

Ela pode ser de três tipos:

  • Espontânea – quando a dor aparece sem algo que a provoque;
  • Provocada – quando a dor ocorre após algum fator que gera pressão na região do vestíbulo vagina (exame médico com instrumento ginecológico ou penetração vaginal durante o sexo);
  • Mista – ora provocada, ora espontânea.

Existem algumas especulações sobre as causas da vulvodínea, tais como candidíase de repetição, alterações nas terminações nervosas da vulva, neuralgia pós-herpética, estiramento do nervo pudendo, atrofia genital com redução dos receptores de estrogênio na mucosa vestibular, além de fatores psicoemocionais (estresse, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático).

Outra teoria que vem ganhando força é o aumento da concentração de oxalato no organismo. Essa substância é encontrada em alguns vegetais e, quando consumida em excesso, pode provocar formação de pedras nos rins, dor ao urinar e dor no vestíbulo vaginal e vulva. A dica seria evitar o consumo de alimentos ricos em oxalato: espinafre, beterraba, carambola, cacau em pó, pimenta e chocolates. Por outro lado, a pessoa que apresenta vulvodínia, deve aumentar a ingestão de alimentos ricos em probióticos e em pectina - como maçã, pêssego, damasco, cereja e uva.

Tratamentos

O tratamento adequado consiste em “quebrar” o ciclo de dor vulvar: medo de sentir a dor (principalmente na penetração no sexo) > contração muscular do assoalho pélvico (que ocorre em resposta à dor) > diminuição da circulação sanguínea local devido à contração muscular acentuada > piora da dor. Essa sequência perpetua e agrava o mecanismo da vulvodínia, deixando a região ainda mais sensível e diminuindo a qualidade de vida da pessoa.

Devido à complexidade do quadro e todas as alterações que ocorrem no organismo, o tratamento deve ser realizado por profissionais com qualificação – de preferência, uma equipe multiprofissional. Ginecologistas podem prescrever medicamentos orais ou creme/géis de uso local para aliviar a sensação de dor/queimação, enquanto fisioterapeutas trabalham para reduzir a tensão muscular, melhorar a vascularização local e diminuir a concentração de substâncias que causam dor na região.

Nos casos mais graves, quando não há melhora dos sintomas com remédios e fisioterapia pélvica, pode ser recomendada uma cirurgia chamada vestibulectomia. Vale dizer que ela é pouco realizada no Brasil.

Prevenção

Os cuidados diários com a região genital são muito importantes, especialmente em relação à pele e à higiene da vulva, uma vez que a utilização de produtos agressivos ou irritantes podem agravar os sintomas da vulvodínea.

Algumas dicas para evitar a dor vulvar:

  • Evite usar roupas apertadas;
  • Use calcinhas de algodão e durma sem calcinha;
  • Esqueça protetor diário, desodorante íntimo e similares;
  • Higienize sua vulva apenas com água (mesmo depois de urinar);
  • Use produtos próprios para região: sabonetes íntimos líquidos sem ingredientes como parabenos e propilenogicol;
  • Garanta uma boa preliminar antes do sexo;
  • Se houver penetração vaginal, use um lubrificante à base de água;
  • Aplique compressas de água gelada ou com o bom e velho chá de camomila, que possui propriedades calmantes.

A vulvodínea é uma condição complexa e que ainda está em investigação acadêmica, mas já existem recursos para aliviar os sintomas desconfortáveis de quem convive com ela. Se for o seu caso, procure ajuda profissional para receber o tratamento mais adequado e melhorar a sua qualidade de vida como um todo. Não, não é frescura nem coisa da sua cabeça.

Foto: Pexels/Alex Green

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