Uma mulher e um homem negros estão conversando – ela está de braços cruzados e com expressão fechada.

Você tem ciúmes da masturbação da sua parceria?

Não somos a única fonte de desejo da pessoa que amamos. Entenda por que isso não deveria ser um problema

Por Café com Pimenta

Você encontra um vibrador escondido na gaveta da sua parceria. Ou descobre que o histórico de navegação do computador dele(a) está repleto de sites de pornografia. Ou então flagra uma masturbação silenciosa, ao seu lado, em plena madrugada. Como se sentiria diante dessas situações? É óbvio (ou deveria ser) que a pessoa amada tem desejo e prazer para além de nós, mas nem sempre conseguimos lidar com isso...

Já escrevemos aqui sobre como o patriarcado e o mito do amor romântico nos fizeram acreditar que a monogamia é o único modelo possível de relacionamento amoroso. Eles também explicam os ciúmes que algumas pessoas sentem da masturbação de suas parcerias: há uma ideia pré-concebida de que a atração e o desejo sexual se voltam exclusivamente para quem escolhemos namorar ou casar.

Por essa perspectiva irreal, dá para entender por que a simples constatação de que a parceria tem prazer solitário pode desestabilizar emocionalmente. Há quem atribua a prática à traição e falta de respeito, sinta inferioridade e insegurança, julgando-se insuficiente por não ser (veja só!) a única fonte de satisfação sexual. É saudável e natural que exercitemos a sexualidade não apenas no encontro com outra(s) pessoa(s), mas de forma individual também.

A masturbação pode gerar um desconforto no relacionamento quando falta informação sobre seus benefícios para o autoconhecimento (de anatomia a fantasias preferidas), a saúde sexual da pessoa (mais orgasmos) e intimidade do casal (mais desejo > mais frequência sexual). O machismo também faz com que a prática seja tabu principalmente entre as pessoas com vagina, que há séculos sofrem o afastamento de seus próprios corpos e sexualidades.

De acordo com uma pesquisa do Programa de Estudos em Sexualidade, da Universidade de São Paulo (2017), 40% das mulheres cis nunca se masturbaram – contra 17,3% dos homens cis. Além da questão de gênero, esse dado reforça como o tema ainda não é visto com naturalidade na sociedade em geral. Mesmo na segurança de nossa intimidade, é como se não tivéssemos permissão para gozar a sós, como se fosse pecado no âmbito divino e no relacionamento amoroso.

Como masturbação pode favorecer o casal

Por que não iniciar um diálogo leve e maduro sobre o assunto com a sua parceria? Nada de colocar contra a parede, como se fosse um interrogatório! Se vocês não têm o hábito de conversar sobre sexualidade, comece compartilhando textos como este. Envie o link com algum comentário do tipo: “Olha que interessante”. Em outro momento, pergunte se a pessoa leu e o que achou. A partir daí, vocês vão aumentando a intimidade e construindo um espaço seguro para falar sobre tudo que diz respeito a sexo, satisfação e prazer.

Caso você não se masturbe, a recomendação é começar já! Ignore os filmes pornôs e a obtenção de prazer rápido/condicionado. Tente se estimular com base em fantasias eróticas (vividas ou desejadas), depois de ler contos eróticos ou assistir histórias com contextos sexuais. Ou você pode simplesmente relaxar e se concentrar nas sensações do seu corpo. Isso promove o autoconhecimento de que falamos, amplia a autonomia e a autoestima, assim como dá ferramentas para apimentar o sexo. 

Se o casal estiver à vontade, pode inclusive se beneficiar da masturbação mútua (uma pessoa se estimula ao lado da outra) ou da observação da masturbação alheia. Além de excitante, as práticas têm caráter didático: mostrar o que mais gosta. Outra dica é levar um cosmético sensual ou um brinquedo erótico para a relação, seja para usar em si ou na parceria. Essas novidades incorporam adrenalina à rotina, assim como promovem a troca entre dar e receber prazer. Não desistam diante de algum constrangimento inicial – é normal!

E lembre-se que ninguém é a última bolacha do pacote para exigir que a pessoa amada não desfrute da sexualidade a sós. Vocês podem optar por um contrato de relacionamento que seja monogâmico, mas não há cláusula razoável que proíba a interação com o próprio corpo. É preciso confiar que a masturbação dele(a) definitivamente não esgota os desejos por sexo com você.

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