uma mulher de vestido vermelho segura um balão cor de rosa em frente ao rosto.

Você já soltou “pum” pela vagina durante o sexo?

Fisioterapeuta pélvica explica por que o barulho constrangedor acontece (e como evitá-lo)

Por Laíse Veloso

Muitas pessoas com vagina já tiveram a (desagradável) sensação de soltar um “pum pela frente” durante o sexo. Essa expressão popular se refere aos flatos vaginais, ou seja, à expulsão de ar de modo involuntário pela vagina. O fenômeno é relativamente comum: de acordo com uma pesquisa publicada este ano na revista científica Journal of Sexual Medicine, 35% das mulheres cisgêneros apresentavam flatos vaginais, geralmente desencadeados por relações sexuais com penetração. A maioria das participantes do estudo disseram se incomodar com o barulho.

Por que acontece?

Normalmente o canal vaginal contém um pouco de ar, mas às vezes bolhas ou bolsas de gás maiores (os tais flatos) ficam presas. Elas podem sair lentamente ou serem liberadas de forma repentina em algumas situações. Por exemplo, durante o sexo, quando ocorre a penetração do pênis, dedo ou brinquedo erótico [como vibrador, dildo etc] na vagina. Os gases também podem escapar com ruídos ao inserimos um absorvente interno, um coletor menstrual e até o espéculo ginecológico durante o exame médico. Exercícios físicos que envolvem alongamento, como a Yoga, oferecem o mesmo “risco”.

Pressionado, o ar preso vibra através do canal vaginal, emitindo um som perceptível e semelhante ao dos gases intestinais. Mas, diferente do “pum tradicional”, a flatulência vaginal não apresenta odor específico. Ainda assim, dependendo da circunstância e da intimidade entre as pessoas, causa embaraço e vergonha. Afinal, não é nada confortável soltar esse barulho estranho pela vagina – e pode ser difícil voltar à concentração ou relaxamento no sexo depois dele...

Quando é sinal de alerta

Na maior parte dos casos, a flatulência vaginal não é prejudicial nem indicativo de doença. Entretanto, ela pode ser sintoma de algumas condições médicas que merecem atenção, tais como fraqueza de assoalho pélvico, prolapso, frouxidão genital ou fístula vaginal. Em outro texto no blog da LUVV, expliquei sobre a importância do assoalho pélvico e sua relação com a saúde sexual.

Esses músculos funcionam como uma rede de sustentação que ajuda a manter os órgãos pélvicos (como útero, bexiga e uretra) nas suas posições anatômicas. Determinadas fases da vida - especialmente gravidez, parto e menopausa – podem enfraquecer o assoalho pélvico e levar ao prolapso genital.  Nesse caso, os órgãos perdem a sustentação e começam a se deslocar para baixo, no sentido do canal vaginal.

Uma boa estratégia para melhorar e prevenir que os flatos pela vagina voltem a ocorrer é realizar o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. Porém, é importante salientar que muitas pessoas com vagina não sabem como contrair esses músculos de forma correta, então pode ser necessário um trabalho mais específico de reabilitação perineal com fisioterapia pélvica, conduzida por uma pessoa profissional especializada no tratamento desses tipos de disfunção.

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