Uma mulher branca de cabelos curtos está sentada em um sofá bebendo uma taça de vinho.

Primeira vez (de novo): a vida sexual depois do divórcio

Os desafios que as mulheres enfrentam no retorno à solteirice após o fim de um casamento

Por Ana Luiza Fanganiello

A pandemia de Covid 19 adoeceu e vitimou muitos casamentos. Prova disso é o recorde de divórcios registrados no Brasil em 2021. Um levantamento feito no Reino Unido mostrou que, em 76% dos casos, as mulheres deram entrada no pedido de separação. Mas o que vem depois da luta e do luto? Diante das novas perspectivas para a vida sexual e amorosa, muitas recém-solteiras se sentem livres... e perdidas.

Talvez o cenário atual de flerte e pegação esteja um pouco diferente. Talvez o seu corpo e os seus desejos sejam outros. Talvez estes tempos pareçam super feministas quanto à liberdade sexual... até alguém te perguntar na balada com quem estão as crianças. A seguir você confere uma entrevista sobre os desafios da sexualidade pós-divórcio com a psicóloga e sexóloga Ana Luiza Fanganiello.

- Depois do divórcio, é importante ter um momento de luto e introspecção ou vale se jogar de cabeça na “pista”, nos apps de encontros, no sexo casual?

ANA – Depende. Cada pessoa tem uma forma de vivenciar o luto. O importante é vivenciá-lo, perceber que a separação não é fácil nem uma coisa simples de se resolver - principalmente se envolve crianças. O primeiríssimo momento pós-divórcio é seu e você vai agir como achar que faz mais sentido, mas saiba que uma hora a conta chega. Ou seja, não dá para escapar de sentimentos como tristeza, frustração, raiva etc. E a terapia ajuda bastante a lidar com eles.

- O “valor de mercado” da mulher e do homem divorciados é o mesmo? Ou os desafios e preconceitos mudam de acordo com o gênero?

ANA – Existe muita diferença. Ainda vivemos em uma sociedade extremamente machista e desigual – e piora à medida que a idade avança. Enquanto o homem “mais velho” é valorizado (associado à experiência, maturidade, estabilidade financeira), a mulher “mais velha” é desvalorizada (em relação ao corpo, à sexualidade, à produtividade). Então uma mulher de 40 anos que se separa e vai em busca da sua sexualidade, por exemplo, traz em si uma liberdade que pode soar ameaçadora para algumas pessoas.

De maneira geral, o homem divorciado vai seguir a vida. É mais fácil “voltar ao mercado”. Na balada, ninguém pergunta onde está o filho dele. Muitas vezes nem precisa dizer que tem um. Como muitas vezes a mulher assume (senão toda) a maioria das responsabilidades sobre a criança, ela precisa se organizar muito mais para contar com uma rede de apoio que permita esse retorno ao convívio social, aos encontros sexuais etc.

- Quais as principais inseguranças e dificuldades no retorno ao universo dos primeiros encontros?

ANA – São várias. Por exemplo: “Meu corpo vai ser aceito?”. Especialmente se você gestou e amamentou ou está sofrendo consequências naturais do envelhecimento, como secura vaginal. Ou inseguranças do tipo “Será que eu ainda sei beijar na boca?”, “Como vou me portar depois de tantos anos em uma relação monogâmica?”, “Consigo agir diferente no sexo casual?”. E ainda administrar esse novo contexto familiar: “Como peço pra ficarem com minha filha para ter um vale-night num momento em que esperam que eu esteja super dedicada a ela?”.

- Como se preparar ou fortalecer nesse sentido?

ANA – Acho que é importante ter a terapia em dia e conviver com pessoas que não te julguem neste momento, como amigas que também estão se separando. Um grupo de apoio em que você não tenha vergonha de falar o que sente nem de seguir suas vontades.

- É possível ser feliz depois do divórcio, inclusive sexualmente?

ANA – Sim, muito mais possível do que dentro de um casamento falido! As portas da vida estão aí... Precisamos explorá-las sem medo.

 

*Foto: Pexels

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