Um homem e uma mulher se abraçam, enquanto ele segura um pequeno vibrador rosa em uma das mãos.

Vibrador não é rival - aliás, pode ser aliado do relacionamento

Ter ciúmes do brinquedo erótico da parceria amorosa revela insegurança e imaturidade

Por Mayara Magalhães

Em março deste ano, uma mulher que vive em São José do Rio Preto (SP) denunciou o marido após ser agredida e expulsa de casa por guardar no guarda-roupa um  – brinde de uma sex shop em que comprou outros produtos eróticos. Indignada com esse caso de violência doméstica por ciúme ou inveja de um  , repostei a notícia publicada em um grande portal nas minhas redes sociais. Então recebi o seguinte comentário de um seguidor: “Se ela tinha o objeto, ele não estava dando conta do recado".

Que um vibrador jamais será capaz de dar afeto e dormir de conchinha... todo mundo já sabe. Então por que, ainda assim, esses brinquedinhos incomodam tanto algumas parcerias – especialmente  ? Alguém realmente acredita que um aparelho eletrônico tem condições de concorrer ou substituir um ser humano? Quero dizer, no sentido mais amplo e imensurável, e não na quantidade de velocidades ou variedade de ritmos [nota da editora: confira o nosso  ].

Na minha opinião, essa ideia do vibrador como rival reflete não apenas o  em nossa sociedade como uma profunda insegurança – independente da identidade de gênero ou orientação sexual (afinal, essa questão pode estar presente em relações homossexuais também). Será que essas pessoas têm receio de que, ao usufruir dos brinquedinhos eróticos, suas parcerias se tornem mais sexualmente autônomas e exigentes? Ou seja, deixariam de procurar o sexo e, quando o fizessem, cobrariam mais satisfação?

É inegável que 1) a   leva ao conhecimento do próprio corpo; 2) mostra os caminhos para chegar ao  ou na companhia de outra pessoa; 3) os   podem potencializar essas sensações, já que proporcionam   – algo que nem mesmo os dedos mais habilidosos conseguem. Infelizmente, a prática do sexo solitário, tão comum e aceitável entre pessoas com pênis, ainda é um tabu para muitas pessoas com vagina.

Entre os diversos benefícios, a masturbação pode aumentar a   (e não diminuir a vontade de fazer sexo). Portanto, a primeira preocupação não faz sentido. Já a segunda... É verdade que uma pessoa ciente do seu potencial orgástico tende a exigir relações sexuais de maior qualidade. Então, por exemplo: se você se relaciona com uma pessoa com vagina, é obrigatório saber que (na maioria dos casos) o estímulo no clitóris que leva ao orgasmo – e não a  !

Sendo assim, por que não usar um brinquedo erótico como aliado, e não rival? Existem mil possibilidades, dependendo de como o casal se constitui e de suas preferências sexuais. Pode ter penetração vaginal + estímulo no clitóris com vibrador; masturbação trocada com vibrador; penetração anal (pênis) + vaginal com vibrador (vice-versa); penetração anal com vibrador + sexo oral no pênis etc.

Se a pessoa com pênis estiver enciumada por causa das dimensões ou do formato do objeto, vale recorrer aos modelos de vibradores menores ( ) e mais discretos ( ). Assim, é possível deixar a ameaça visual de lado, esquecer qualquer tipo de comparação e relaxar. Quem consegue superar o tabu e as próprias fragilidades só tem a ganhar, tanto individualmente quanto no contexto da relação. Você pode desenvolver habilidades,  , intimidade...

 

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