Uma mulher negra, de cabelos longos e trançados, está sentada sobre uma cama com a cabeça baixa. Ela abraça as próprias pernas, que estão flexionadas.

Tesão abatido: os efeitos da depressão entre quatro paredes

Entenda por que a falta de desejo sexual é um dos principais sintomas da doença entre as mulheres cis

Por Café com Pimenta

Houve um aumento de 25% nos casos de depressão e ansiedade em todo o mundo durante a pandemia de Covid 19, de acordo com um estudo publicado na revista científica Lancet. Antes dela, o Brasil contabilizava mais de 16 milhões de pessoas adultas deprimidas (IBGE). A doença afeta todos os aspectos da vida, incluindo a sexualidade. Para se ter ideia, quem sofre de depressão tem cinco vezes mais chance de perder libido* (ou seja, sentir pouca ou nenhuma vontade de transar). Mas por que isso acontece?

A depressão é um transtorno psicológico caracterizado por tristeza persistente, angústia, sentimento de inutilidade e incapacidade, variação de humor, irritabilidade, alteração do sono e do apetite, apatia, perda de interesse por atividades antes consideradas divertidas e prazerosas – por exemplo, a masturbação e o sexo. Ela prejudica aquela sequência de eventos necessária para a estimulação sexual, do pensamento erótico (fantasia) e até a receptividade ao toque físico. 

Dores associadas ao sexo são mais prevalentes em pessoas com vagina deprimidas, o que torna a prática cada vez menos prazerosa e interessante. Também existem evidências de que a perda de libido é o segundo sintoma mais frequente nelas, atrás apenas dos distúrbios do sono. Talvez as mulheres associem mais sexo a sentimento, afinal há toda uma construção social e cultural para isso. Nas pessoas com pênis, a depressão pode desencadear desde a perda da ereção a dificuldades com ejaculação.

É uma questão importante de saúde mental, com efeitos negativos para a autoestima e a autoaceitação. Outro problema frequente envolve a capacidade de compreensão da parceria amorosa, que pode interpretar a falta de desejo sexual da pessoa deprimida como algo pessoal (o fim do interesse) e até mesmo indício de uma infidelidade. Nesse caso, a comunicação entre o casal é indispensável para superar a situação com leveza. 

O tratamento da depressão pode ser medicamentoso e/ou psicológico. De maneira geral, os antidepressivos têm um papel importante na regulação dos neurotransmissores afetados pela doença. Eles são encarregados de aumentar substâncias do nosso cérebro como a dopamina (responsável pela sensação de prazer e adição de motivação), serotonina (encarregado em manter o humor e o sentimento de bem-estar) e norepinefrina (que nos ajuda na atenção e habilidade de focar). 

Entretanto, algumas medicações dessa categoria têm como efeito colateral... a diminuição do desejo sexual. Calma, psiquiatras já conseguem manejar uma combinação de remédios para neutralizar a inibição da libido pelo antidepressivo. Acompanhamento psicológico é fundamental para o equilíbrio das emoções e para lidar com os desdobramentos da depressão em diversas áreas da vida. Inclusive porque, muitas vezes, as causas da doença estão ligadas ao histórico familiar, estresse, ansiedade etc.

No mundo ideal, pessoas deprimidas com problemas sexuais receberiam atendimento especializado em sexualidade e abordagem terapêutica adequada para cada caso. Assim aumentaria a adesão ao tratamento, a qualidade de vida e a satisfação no relacionamento. Mudanças de hábitos também contribuem muito com a saúde mental: considere praticar atividade física, melhorar a alimentação, desenvolver um hobby, meditar, retomar o convívio social com familiares e amigos. 

Identificar o início de um processo depressivo nem sempre é fácil, assim como a recuperação nem sempre é rápida. Acolha-se e busque o cuidado de profissionais competentes, amizades queridas e da sua parceria amorosa. Talvez esse mergulho interno seja doloroso, mas valerá a pena. É sobre restabelecer o prazer pela vida e, consequentemente, ter uma vida sexual satisfatória. Ou sobre sair de baixo dos cobertores para então ter vontade de rolar por cima deles...

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