Duas mulheres brancas estão seminuas deitadas em uma cama. Elas se olham e sorriem.

Sexo lésbico para iniciantes: mitos, dicas e cuidados básicos

O prazer entre vulvas independe de penetração, mas não está livre de infecções sexualmente transmissíveis

Por Mayara Magalhães

O sexo entre pessoas com vulva costuma ser associado ao que se vê na pornografia tradicional (algo estereotipado e voltado para o prazer masculino*) ou reduzido a preliminares (pela suposta falta de penetração). Vamos derrubar esses mitos? Mulheres cis lésbicas chegam ao orgasmo em 86% das vezes em que fazem sexo, enquanto as heterossexuais gozam em menos de 65%, segundo um estudo científico publicado na Archives of Sexual Behavior.

Não é à toa. O sexo entre pessoas com vulva envolve mais exploração, descobertas, criatividade, entrega. Elas se dispõem a conhecer melhor o corpo da parceria, explorando áreas erógenas que fogem da genitalidade. Além disso, focam mais no clitóris - órgão no alto da vulva cuja única função é proporcionar prazer, mas acaba esquecido quando o sexo se reduz ao vaivém do pênis dentro da vagina.

A penetração de dedos e objetos (como dildos e vibradores) pode ou não acontecer. Ele não é obrigatório nem proibido. Depende, como sempre, das preferências de cada casal. Mas sexo oral, masturbação mútua ou trocada, fricção de corpos... também são práticas sexuais – e das boas! Todas são capazes de proporcionar muito prazer.

Aliás, outra vantagem do sexo entre vulvas é que ele não costuma acabar quando acontece um orgasmo. Se os estímulos continuam, podemos seguir gozando múltiplas vezes. Já pessoas com pênis tendem a perder a ereção depois de ejacular e simplesmente “encerram as atividades” (embora ainda tenham língua e dedos). É o famoso “virou para o lado e dormiu”.

Posições sexuais entre vulvas

Inúmeras posições podem oferecer o estímulo necessário para disparar o orgasmo em pessoas com vulva. Aqui vão alguns exemplos:

  • Tesoura: o encaixe dos corpos frente a frente permite a fricção entre vulvas e clitóris;
  • Conchinha: deitadas de lado, uma estimula o clitóris da parceria com a mão ou brinquedinho erótico (dica: sugador de clitóris!);
  • Cruzada de coxas: uma esfrega a vulva e o clitóris na perna da parceria;
  • 69: sexo oral simultâneo (uma na outra ao mesmo tempo);
  • De quatro: uma penetra a parceria com o uso de cinta peniana (strap-on) ou de vibradores.

Cuidados: higiene e saúde

No sexo entre vulvas, há troca de secreções vaginais e até contato com sangue menstrual. Portanto, é possível contrair infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ainda que não haja transa com penetração ou ejaculação (sêmen). Os métodos de prevenção infelizmente não são muito práticos, mas existem.

  • Higienize bem as unhas (melhor se estiverem bem aparadas) e considere comprar dedeiras de látex (camisinha de dedo) à venda em sex shops;
  • Não compartilhe brinquedos sexuais – e higienize bem antes do uso. Caso use na parceria, coloque um preservativo no dildo/vibrador;
  • No sexo oral, a opção é adaptar uma camisinha masculina, cortando-a em um quadrado e posicionando em cima da vulva. Nos EUA, começou a venda de uma calcinha de látex com essa finalidade (que chegue logo por aqui!);
  • Camisinha feminina é uma alternativa mais eficaz se houver penetração de dedos ou objeto, já que protege basicamente o canal vaginal, mas não toda a vulva (externa).
  • E, para manter qualquer tipo de relação sexual, é importante estar com os exames em dia. Em caso de verrugas ou feridas na região da vulva, marque uma consulta médica.

*Foto: Pexels

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