Em uma cama bagunçada com almofadas, uma mulher branca de camisa e calcinha se debruça sobre um homem branco que está de olhos fechados.

Sexo agendado no casamento: forçado ou útil para a libido?

Entenda por que a estratégia pode funcionar para casais insatisfeitos com a frequência sexual

Por Théa Murta

É muito comum que a frequência sexual dos casais diminua à medida que o relacionamento se torna estável e de longa data. Isso pode acontecer por fatores como rotina, estresse, desgaste emocional. As pessoas passam a se queixar da falta de tesão, do tédio sexual, da preguiça de começar o sexo com a parceria... Tudo isso vira motivo de brigas e desentendimentos conjugais. Mas como resgatar a libido e apimentar a relação? Agendar o sexo pode ser um ótimo exercício de reconexão afetiva e sexual.

Há quem acredite que essa estratégia é forçada e artificial. Bom, é justamente a ideia de que o sexo deve ser sempre espontâneo que contribui para ele não acontecer. Como já disse aqui, em um relacionamento longo, o desejo sexual das pessoas com vulva funciona de forma muito mais responsiva (“Não estava com vontade de transar, mas depois desse beijo de língua...”) do que automática (“Tava lavando louça e, do nada, me deu um tesão maluco”).

Além disso, quando o casal está imerso na paixão do início, existe um esforço e uma vontade contínua de “fazer acontecer”. Ou seja, que cada encontro seja gostoso em todos os sentidos, que haja muita novidade, que a conexão íntima esteja em primeiro lugar. Mas, com o tempo de relacionamento, esses esforços tendem a ser deixados de lado. Esquecemos do básico que funciona para despertar o desejo.

Como funciona o sexo agendado

Na prática clínica, percebo que o sexo agendado traz bons resultados para os casais com dificuldades em relação à libido e frequência sexual – por mais que pacientes inicialmente torçam o nariz para a ideia. Mas não é sobre transar em determinado horário do dia ou da semana.

O principal é que as duas pessoas se disponibilizam a melhorar a intimidade sexual, combinando momentos para se curtirem e se (re)descobrirem. Pode parecer estranho e “forçado” nas primeiras tentativas, mas quando colocamos algo como prioridade na vida e nos comprometemos ... aumenta o nosso engajamento e as coisas tendem a fluir melhor.

Não existe uma frequência ideal para o sexo agendado, mas sim aquela que cabe na rotina do casal. Vocês devem conversar, entender o que é possível e faz sentido para ambos – uma vez por semana, a cada quinze dias etc. Definam, por exemplo, se estão mais disponíveis física e emocionalmente num sábado de manhã ou numa quarta-feira à noite.

Vocês podem criar um ambiente agradável e com estímulos diferentes dos habituais. Se estiverem em casa, por exemplo, vale colocar uma música gostosa, uma vela aromática, meia luz, propor uma brincadeira erótica (como massagem sensual). Ou podem sair para jantar e esticar o programa para um motel.

Acima de tudo, o sexo agendado propõe estar presente ao momento (não com a cabeça nas tarefas domésticas ou nas demandas do escritório), à sua parceria e a você mesma. Lembrem que sexo é muito mais que penetração e aquele script repetitivo que começa com a ereção e termina na ejaculação. Qualquer troca entre pessoas que gere desejo, excitação e prazer... é sexo!

E esse momento reservado na agenda para o casal pode começar com um jantar, uma boa conversa e um tempo de qualidade juntos. Não se pressionem para transar apenas porque “estava marcado”. Mais importante do que transar é voltar a alimentar a conexão e a intimidade de vocês.

*Foto: Pexels

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