Um homem negro de cabelos compridos e trançados está sentado em uma cama. Ele está com a cabeça abaixada, os braços apoiados nas coxas e as mãos juntas

Perder ereção de vez em quando é sinal de disfunção erétil?

Urologista especializado em disfunção erétil explica causas, fatores de risco e tratamentos para a chamada “impotência sexual masculina”

 

Por Matheus Brandão Vasco 

A disfunção erétil (também conhecida como impotência sexual) é uma doença que pode acometer o pênis ao longo da vida, alterando sua ereção e consequentemente afetando a função sexual. Apesar do estigma, estimativas apontam que, em 2025, cerca de 320 milhões de homens cis no mundo terão disfunção erétil. Entre 40 e 70 anos, a incidência fica em torno de 50%. Abaixo dos 40 anos, aproximadamente 10% têm disfunção erétil – em cerca de 90% desses casos, a causa é psíquica.  

Para falar de disfunção erétil, antes precisamos entender o que é a ereção. Essa reação genital representa a entrada de sangue dentro do tecido do pênis, o que gera seu crescimento e rigidez. Às vezes a reposta do pênis ao estímulo sexual não acontece: a pessoa pode ter dificuldade de iniciar e/ou manter a ereção. Quando isso provoca prejuízo e influencia para que o sexo NÃO aconteça de forma satisfatória, por um período superior a três meses, podemos considerar uma disfunção erétil.

O que provoca a ereção peniana

Existem três tipos de repostas para a ereção peniana:

  • Durante o sono: há uma fase do sono em que pessoas com pênis têm um estímulo pró-erétil. Quando ela desperta nessa fase, algumas vezes pode notar o genital rígido. 
  • Reflexa: ao tocar e manipular no pênis, a pessoa pode desencadear a resposta da ereção.
  • Psicogênica: a interação entre desejo, imaginação, cheiro e toque estimulam áreas do cérebro que liberam algumas substâncias. Elas agem no órgão genital para desencadear a ereção.

Talvez você se pergunte algo como: “Então não ter ereções ao acordar pela manhã é sinal de que a pessoa tem disfunção erétil?”. Não! Não se diagnostica ninguém apenas com base nisso. A ereção acontece em uma fase específica do sono e ela pode ter acordado em outra... Ou seja, é uma doença complexa e multifatorial, que não deve ser reduzida dessa forma ou associada a um episódio isolado de perda de ereção.

Causas da disfunção erétil

O envelhecimento, por si só, é um fator de risco para a ereção peniana. Quanto mais idade a pessoa tem... maior a chance de apresentar disfunção erétil (lembra a incidência no início deste texto?). Doenças prévias como hipertensão arterial, diabetes melito, dislipidemia, tabagismo, entre outras, podem contribuir para o aparecimento ou agravo do problema sexual.

Mas além das questões biológicas e físicas, a disfunção erétil pode ter causas psicogênicas. Por exemplo: ansiedade de desempenho sexual, estresse, crenças limitantes, insegurança nas relações interpessoais, baixo desejo para o sexo com a parceria, pouco conhecimento sobre como funciona o próprio pênis etc.

Pacientes com dificuldades de ereção precisam de um acolhimento profissional esclarecedor, pois uma “falha” pode gerar o estigma de que aquilo vai perpetuar – ou seja, de que não vai mais conseguir ter ou manter uma ereção para o sexo. O diagnóstico é clínico, baseado na queixa da pessoa e não em exames laboratoriais.

Urologistas devem tirar todas as dúvidas, informar e mostrar que a disfunção erétil é tratável. Ter a parceria envolvida desde início contribui tanto na definição do diagnóstico quanto na resposta ao tratamento proposto. É importante que o casal entenda junto o que está acontecendo e os meios para melhorar a relação sexual.

Tratamentos

A interação entre paciente, parceria e urologista é fundamental para compreender as possibilidades de tratamento e compartilhar a decisão. Os métodos mais comuns para tratar a disfunção erétil são:

- Avaliação e acompanhamento psicológico: extremamente relevante, especialmente para pessoas jovens que tiveram uma perda de ereção pontual e, depois do episódio, passaram a ter receio de fazer sexo por insegurança (o que pode gerar novas falhas).

-  Medicações orais como sildenafila ou tadalafila: podem facilitar a ereção, mas também gerar efeitos colaterais como rubor facial, palpitação, dor muscular etc. São contraindicados para pacientes que usam medicamentos cujo princípio ativo é o nitrato.

- Uso da bomba à vácuo e do anel peniano durante o sexo: opção com efeito localizado (no pênis) para pacientes que não desejam medicação oral ou formas mais invasivas.

- Medicação injetável: aplicada com uma seringa dentro do tecido peniano pelo paciente ou parceria. Induz a ereção peniana para permitir a penetração ou outras práticas sexuais.

- Uso de próteses penianas (semirrígidas ou infláveis): alternativas cirúrgicas, com a introdução de cilindros e mecanismo para acionar manualmente a ereção.

Não temos mais a recomendação de primeira, segunda ou terceira linha de tratamento. Cada paciente deve receber a orientação com as possibilidades de tratamento e definir o que considera o melhor para o seu caso, com apoio do/a urologista e da parceria. A disfunção erétil não é uma sentença que determina o fim das vivências sexuais e do prazer. Procure ajuda especializada.

 

*Foto: Pexels / Alex Green

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