Dois homens brancos estão nus e abraçados dentro de uma banheira e à luz de velas. Ambos têm uma expressão pensativa.

Por preconceito, pessoas LGBT+ buscam psicoterapia especializada

Profissionais compreendem as questões de gênero e orientação sexual, ao invés de reforçar padrões heteronormativos e crenças limitantes

Por Theo Alarcon

Quando uma pessoa LGBTQIA+ busca acolhimento na psicoterapia, muitas vezes já está bastante fragilizada por sofrer discriminação, cobrança e opressão em diversos espaços (inclusive no âmbito familiar). Ela precisa de profissionais com empatia e preparo para ajudá-la a lidar com os próprios conflitos e emoções, não de preconceito velado ou tentativas de conversão. Mas, infelizmente, isso nem sempre acontece – ameaçando ainda mais a saúde psíquica de pacientes.

Embora o Conselho Federal de Psicologia (CFP) determine que nenhum psicólogue deve atuar em favor do discurso de patologização da pessoa LGBTQIA+ ou adotar ação coercitiva [perpetuando crenças limitantes], a maioria das graduações de psicologia não aborda as questões de diversidade sexual. Falta informação, por exemplo, para compreender o que é uma pessoa transgênero ou conceitos como disforia de gênero.

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Não é raro ouvir relatos de pacientes que perceberam seus sentimentos (como solidão, abandono, culpa e frustração) diminuídos, não validados ou desconsiderados durante o atendimento. Socialmente a estrutura normativa ainda é muito enraizada e pode interferir também no processo de autoaceitação. Sendo assim, a chamada psicologia especializada para a comunidade LGBTQIA+ se torna importante para garantir o direcionamento deste cuidado. Para que as pessoas deste grupo não tenham medo e possam voltar a confiar na psicoterapia como uma ferramenta importante de autoconhecimento e promoção de bem-estar psicológico.

Grande parte dos profissionais que se disponibiliza a este atendimento específico também faz parte da sigla, embora não seja uma regra. Não é necessário um tipo de tratamento especial, mas é preciso compreender que as demandas muitas vezes serão específicas. Uma pessoa cisgênero, por exemplo, não precisa pensar muito ou tomar certos cuidados considerando qual banheiro ou provador utilizar num espaço público. Não precisa se preocupar em qual será sua leitura social naquele dia ou se alguém irá te reconhecer e chamar por um nome que te incomoda na frente de outras pessoas. As questões familiares que envolvem não aceitação da pessoa LGBTQIA+ são diferentes das demandas de uma família heteronormativa.

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Terapeutas devem oferecer espaço seguro e livre para a pessoa falar, informações para que ela compreenda a própria sexualidade como aspecto natural do seu desenvolvimento; além de avaliar expectativas com relação a aceitação das outras pessoas, medos e possivelmente lidar com rejeições. Psicólogues de maneira geral tem capacitação para lidar com questões de autoconhecimento, ansiedade e depressão, mas buscar por profissionais que tenham experiências mais próximas a sua vivência pode facilitar o processo terapêutico.

Foto: Pexels/cottonbro

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