Prazer na dor? Entenda o que significa BDSM

Prazer na dor? Entenda o que significa BDSM

Jogo erótico que envolve papéis de dominação e submissão tem muitas regras – ai de quem não respeitá-las!

Por Heitor Kaleo

Existem diversas formas de vivenciar a sexualidade para além daquilo que se considera “normal” ou legítimo (penetração vaginal entre homem e mulher cisgêneros). Algumas fantasias sexuais ou fetiches, por exemplo, recorrem especialmente à imaginação para obter prazer. É o caso do BDSM , que possui milhões de pessoas adeptas no mundo todo e ganhou repercussão com o polêmico filme “Cinquenta Tons de Cinza” – lançado no Brasil em 2015.

A sigla representa um conjunto de práticas consensuais, erroneamente resumidas à dor e humilhação. Trata-se de um jogo erótico com papéis bem estabelecidos e regras negociadas antes da chamada “cena”, que independe do ato sexual. Aliás, há quem adote o BDSM como filosofia de vida. Mas o que significa cada uma dessas letras? BDSM = bondage (B), dominação e disciplina (D), submissão e sadismo (S), masoquismo (M).

  • Bondage: amarrar ou restringir o movimento da parceria com cordas, algemas etc.
  • Dominação: deter o poder e a autoridade na cena sexual; posição de dominador(a).
  • Disciplina: postura que a pessoa submissa manifesta diante da pessoa dominadora; cumprimento de regras estabelecidas para o jogo erótico.
  • Submissão: assumir papel inferior na cena sexual; ser dominado(a).
  • Sadismo: sentir prazer sexual em provocar dor física e/ou psíquica em outra pessoa.
  • Masoquismo: sentir prazer sexual na dor e/ou na humilhação.

Na cena BDSM, o ato sexual não é obrigatório. O jogo erótico pode funcionar como preliminar (despertando a excitação) ou acontecer durante o sexo propriamente dito (inclusive levando ao orgasmo). Em outros casos, as pessoas participantes estão apenas dispostas a alcançar o prazer de uma forma diferente. Elas se conectam experimentando suas fantasias sexuais por meio da encenação com roupas (de látex, couro etc), acessórios (chicote, chibata, coleira etc) ou recursos psicológicos (figuras de dominação e submissão, por exemplo).

A regra de ouro da comunidade é a sigla “SSC”, que quer dizer “são, seguro e consensual”. SÃO porque todas as pessoas devem estar conscientes: por exemplo, não é recomendado o uso de substâncias químicas, como álcool e outras drogas antes da cena BDSM. Ao contrário do que se possa imaginar, essa prática requer muita consciência, atenção e comunicação. SEGURO porque é preciso aprender a aplicar as técnicas (como amarrar, chicotear, pisotear etc) com responsabilidade. CONSENSUAL porque é fundamental que as pessoas estejam de acordo com cada etapa: a cena deve ser negociada em detalhes, há que combinar a “safeword” (palavra de segurança) e definir o “aftercare” (cuidados pós-cena).

A palavra de segurança serve para comunicar que se chegou ou está próximo do seu limite físico ou psicológico, e então a cena deve ser interrompida. Os cuidados pós-cena são dirigidos à pessoa submissa, afinal podem ocorrer lesões derivadas do uso de acessórios como cordas, chicotes ou floggers. Esses cuidados vão desde demonstrações de carinho até colocação de curativos. Portanto, será que o estigma e o preconceito contra o BDSM se justificam? Não é sobre agressão e dor, mas sobre entregar-se a diferentes fantasias e prazeres com comunicação, respeito e confiança – no papel de pessoa dominadora ou submissa.

O mais importante é entender o seu desejo sexual e encontrar pessoas que ajudem a dar vazão a ele. Pedir um tapa, uma mordidinha ou até mesmo um vocabulário mais agressivo durante o sexo não faz de você praticante de BDSM (talvez apenas simpatizante). Da mesma forma, clubes ou pessoas que não respeitam as regras básicas não podem ser consideradas realmente integrantes dessa comunidade. E a prática sem total consentimento não é BDSM... é crime.

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