Um homem branco de barba e sem camisa está tomando sol com um braço apoiado sobre a cabeça, em meio a um jardim.

Prazer da próstata: por que é tabu e como começar a prática

Gostar de estímulos no ânus não define a orientação sexual de uma pessoa

Por Rafael Zeni

Para muitos homens cisgêneros e heterossexuais, o ânus é via de mão única e possui apenas função excretória. Em nossa sociedade machista e patriarcal, “macho de verdade” deve recorrer exclusivamente ao próprio pênis como instrumento de prazer para que sua sexualidade não seja considerada “desviante”. Em outras palavras, o homem que elege esse orifício de seu corpo como fonte de erotismo e gozo sexual é tido como “pervertido”, gay ou as duas coisas. Mas a região é repleta de terminações nervosas e, portanto, inegável zona erógena.

Existe uma forte correlação entre o tabu anal e a construção da masculinidade, constituída principalmente a partir de práticas corporais (como se gesticula, comporta, anda, fala, dança, beija, transa). Nesse sentido, há todo um patrulhamento social que pode limitar e oprimir os homens, como é o caso da “não violação do ânus”. Esse tabu anal tem relação com comportamentos e posturas tidos como masculinos, bem como reflexos no erotismo e nos cuidados com a saúde.

No caso dos heterossexuais, essa violação do ânus resultaria em uma penalidade validada pela sociedade: o rebaixamento da masculinidade (ou seja, eles seriam “menos homens” por receber ou gostar de estímulos anais). Exemplo desse estigma absurdo é o temor ou a chacota diante do exame de toque retal, em que a pessoa urologista introduz por alguns segundos o dedo no ânus do paciente para detectar doenças como o câncer de próstata. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse tipo de câncer atinge 18% da população masculina no Brasil.

Ponto G masculino: onde fica e como estimular

O estímulo anal também faz parte do repertório sexual, independente do gênero e orientação sexual da pessoa. Apontado como o “ponto G masculino”, a próstata é uma glândula no formato de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga e um pouco atrás dos testículos. Ela controla a ereção, a ejaculação e o orgasmo em pessoas com pênis. É uma zona erógena, ou seja, capaz de gerar prazer ao ser estimulada. Para alcançá-la, basta introduzir o dedo (com unhas aparadas!) ou um brinquedo sexual [nota da editora: confira plugs anais e estimuladores de próstata na lojinha da LUVV).

O ideal é que a prática aconteça quando a pessoa estiver relaxada, durante as preliminares. Mas não há regras ou consenso. Iniciantes podem começar colocando ou recebendo pressão na próstata pelo lado externo, na área do períneo, que fica entre o ânus e os testículos. Depois, vale partir para o chamado “fio terra”: coloque (ou peça para colocarem) o dedo devidamente lubrificado no canal do reto e faça movimentos suaves de dentro para fora – isso faz com que os músculos relaxem.

É normal sentir algum estranhamento ou desconforto diante das novas sensações. Quando estiver confortável, vire o dedo na direção do pênis e siga explorando. Ao encontrar uma saliência no formato de noz, acaricie delicadamente. Alguns homens preferem ter a sua próstata estimulada depois da ereção completa, enquanto outros apontam que estimulá-la aumenta a ereção e leva a um orgasmo mais intenso. Da mesma forma, há quem chegue rapidamente ao orgasmo assim e quem apenas considere que torna a masturbação ou o sexo mais prazeroso.  

Acessórios para turbinar o prazer anal

Existem acessórios específicos para explorar o prazer anal e desencadear o orgasmo da próstata. Identifique qual desperta mais a sua curiosidade, verifique a qualidade do produto e as avaliações de pessoas que já testaram (se a compra for online). Os modelos possuem diferentes funções, tamanhos e texturas. Basicamente, podem ser divididos nestas categorias:

  • Estimulador da próstata vibratório e estimulador do períneo;
  • Estimulador da próstata inflável;
  • Plug anal;
  • Vibrador anal;
  • Próteses penianas;
  • Cinta peniana (ótima para a prática do “pegging”, em que há uma inversão de papéis e a mulher cis penetra o homem cis).

Explorar o próprio corpo sexualmente não é apenas um direito, mas uma incrível possibilidade de ampliar o repertório e o prazer. Melhor ainda se isso acontece com segurança e cuidado. Então deixe de lado preconceitos, complexos e achismos: ser homem, ser hétero, ser masculino... nada têm a ver com o que se faz com o tão amado e odiado cu.

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