Duas mulheres conversam sobre uma cama de casal, ambas de pijama. Uma delas está deitada na transversal, apoia a cabeça sobre um dos braços e tem a perna direita esticada sobre os ombros da parceira.

Por que uma boa conversa pode ser melhor que sexo

Comunicação é peça-chave para construir intimidade sexual, ter relações mais saudáveis e prazerosas

Por Ana Luiza Fanganiello*

Ao contrário do que muita gente acredita, a sexualidade de um indivíduo e a vida sexual de um casal não se resumem ao ato propriamente dito – ou seja, ter ou não relações sexuais, em qual frequência, com qual nível de satisfação etc. Sexualidade é muito mais do que isso: envolve intimidade e respeito, por exemplo. Para conseguir esses elementos essenciais a um relacionamento saudável, precisamos investir no  , na disposição para estar com a outra pessoa de forma integral e no diálogo. 

Há quem sinta vergonha até de admitir que em determinados momentos  … preferiria comer um bolo, ver um filme ou ter uma conversa gostosa. E o interessante é que a possibilidade de confessar e fazer isso com a outra pessoa pode ser não apenas libertador como mais prazeroso que uma relação sexual. Aliás, o caminho para uma boa relação passa por compreender e respeitar os próprios desejos, assim como conseguir comunicar e se mostrar vulnerável para quem está ao seu lado. 

Infelizmente nossa sociedade ainda menospreza a importância de uma  ampla desde a infância. Ela poderia contribuir muito na construção de vínculos afetivos de maior qualidade entre pessoas adultas. A atual ausência desse ensino traz consequências para a vida em casal, como a preocupação com a performance sexual. Nos atendimentos como psicóloga e sexóloga, percebo como as pessoas ficam presas a lugares-comuns: não têm o hábito de se perguntar e perguntar à parceria amorosa sobre preferências sexuais, necessidades,  , incômodos, limites e  .

Não à toa a psicóloga e pesquisadora Laurie Mintiz, da Universidade da Flórida (EUA), chegou às seguintes conclusões em um de seus   sobre satisfação sexual: 95% das mulheres   chegam ao orgasmo quando se masturbam; 64% durante o sexo com outra mulher cis; e apenas 7% gozam quando a relação sexual se dá com um homem cisgênero.

Essa discrepância nos números revela um problema importante dos relacionamentos entre pessoas cisgêneros e heterossexuais…. Muitas vezes as mulheres cis são taxadas de anorgásmicas (disfunção sexual para ausência ou dificuldade persistente de chegar ao orgasmo), quando a verdadeira questão é a falta de diálogo e intimidade sexual. Por exemplo: talvez ela consiga  . Tudo bem!

Ok, mas como falar sobre sexo? Como puxar esse tipo de assunto com a parceria sexual e amorosa? Não existe uma única resposta, muito menos uma resposta “correta” ou “fácil” para essas perguntas. Não posso entregar uma receita de bolo para algo tão complexo quanto a sexualidade humana. O que costumo sugerir para pacientes do meu consultório é inserir temas a partir de conteúdos como filmes, documentários, artigos e podcasts (eu participo de um, do  )…

Vocês podem assistir, ler, ouvir algo juntes ou vale recomendar para a outra pessoa: “Amor, olha isso que interessante. O que você acha?”. Mas lembre-se que a sexualidade é fluida, nossos desejos e limitações podem mudar ao longo da vida, portanto uma única conversa não funciona… Alimentem sempre a intimidade emocional e erótica para terem cada vez mais prazer.

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