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Por que a concepção de pecado interfere na sua saúde sexual e mental

Cada cultura e religião determinam quais práticas sexuais são legítimas ou condenáveis – o que pode levar à culpa e ao medo do “castigo divino”

Por Heitor Kaleo

A concepção de sexo tido como legítimo varia ao longo da história, da sociedade e da cultura em que está inserido. Com isso, cada combinação dessas variações resulta em restrições a respeito da prática sexual e do conceito de prazer permitido. É bastante comum, por exemplo, que as doutrinas religiosas delimitem e atravessem a construção subjetiva de prazer. Muitas vezes elas fazem com que pessoas reprimam parte de seu  , interferindo não só na sua saúde sexual, mas também mental.

Existe espaço adequado em nossa cultura para explorarmos o sexo sem pecar? Como ter prazer de verdade e não sentir culpa? Essas questões polêmicas são muito antigas e recorrentes em séculos de humanidade. A discussão pública sobre o sexo sempre se pautou por uma (falsa) dicotomia. De um lado haveria a prática sexual tida como “correta” e natural: a relação entre marido e mulher, com  e preferencialmente fins reprodutivos.

Do outro lado estaria... tudo o que não cabe nesta estreita definição de sexo. Ou seja, inúmeras práticas sexuais passaram a ser condenadas – a ponto de provocar sentimento de culpa e inadequação até por se imaginar nelas. Em algumas sociedades ou religiões, a   ainda hoje não é aceita, assim como “perder a virgindade” antes do casamento. Isso para não falar de  ,  , relação entre pessoas do mesmo sexo e diversas  muito populares.

As  (sigla para bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo), por exemplo, costumam ser rotuladas como perversas e sujas. Há muita desinformação, aliás. Elas não necessariamente envolvem dor, mas sempre existe uma hierarquia na relação sexual. A sessão BDSM deve garantir a integridade e a diversão entre as pessoas envolvidas seguindo as regras SSC: “são, seguro e consensual”.

Se você conhece os riscos e respeita os seus limites, por que não seria legítimo desfrutar do prazer? A sombra de um hipotético castigo divino limita e interfere nosso conhecimento sobre o próprio corpo, o desenvolvimento da nossa performance sexual e a nossa  . Esta é composta pelo equilíbrio de vários sentimentos, sensações e percepções acerca de tudo que compõe o nosso dia a dia e as nossas relações.

Portanto, se temos alguma questão que gera um conflito entre o que realmente queremos e o que nos é permitido, sentimentos como culpa podem aparecer de maneira mais frequente, causando um desequilíbrio e impactando negativamente a saúde mental. Em outras palavras, isso quer dizer que você pode desenvolver transtornos de ansiedade, depressão etc.

O sexo faz parte integral da vida e compõe o espectro das necessidades humanas. Desse modo, cada indivíduo é responsável por compreender e satisfazer seus desejos de forma prazerosa e consentida. Explorar o próprio corpo e o corpo da(s) pessoa(s) parceira(s), assim como suas   e desejos, sem culpa e sem limitações.

 

 

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