Uma mulher branca de cabelos lisos e compridos está sentada no chão. Uma de suas mãos segura uma caixa com bolo e a outra leva um pedaço à boca.

Pessoas assexuais preferem bolo a fazer sexo

Desinteresse erótico ou romântico pode indicar uma orientação sexual – e não um distúrbio. Entenda o que é “espectro ace” e seus tipos

Por Theo Alarcon

A maioria das pessoas considera que ter um relacionamento amoroso e uma vida sexual ativa não é apenas algo natural como também... essencial para o bem-estar. Existe tanto uma cobrança social para encontrar uma parceria ao longo da vida quanto uma supervalorização do sexo – como se fosse crucial para estabelecer e manter relações. Então, temos um problema quando o desejo e a atração inexistem? Não. A comunidade assexual ou “ace” (abreviação do inglês) está aí para provar.

O que é assexual?

A assexualidade é uma orientação sexual que integra a sigla LGBTQI[A]+, pois assim como outras sexualidades não-normativas, sofre pressões sociais e é invisibilizada com frequência. Assexuais são pessoas que raramente ou nunca sentem atração sexual. Sim, é possível ter uma vida sem sexo ou com pouco interesse pela atividade... e tudo bem!

Quando isso não provoca sofrimento emocional à própria pessoa, não há motivos para classificar como distúrbio ou disfunção sexual. É preciso diferenciar essa situação de um contexto em que há, por exemplo, baixa libido ou ausência de desejo devido a alterações hormonais, conflitos conjugais etc.

Por mais estranho que possa parecer, uma pessoa assexual simplesmente não tem vontade de transar. Para se ter ideia, uma expressão bastante utilizada e que se torno símbolo de identificação da comunidade é: “Prefiro bolo”. Ou seja, independentemente da proposta sexual, uma pessoa assexual prefere explorar o prazer de outra forma - não erótica.

A orientação sexual em si não é uma novidade, mas a internet e organizações como a Asexual Visibility and Education Network ((AVEN) foram responsáveis por nomear a assexualidade e gerar identificação entre mais pessoas que se sentiam dessa forma. Elas puderam se reconhecer enquanto assexuais e encontrar parcerias com os mesmos interesses, ao invés de tentarem se enquadrar na normatização sexual a qualquer custo.

Antigamente utilizava-se o termo assexuado para descrever uma pessoa sem interesse sexual ou romântico. Hoje compreendemos que seu uso é inadequado porque a palavra está ligada à reprodução biológica sem troca de gametas. Aqui não se trata de uma condição biológica, mas sim de uma característica de orientação sexual. Portanto, o correto é dizer que a pessoa é assexual.

Espectro ace: tipos de assexualidade

Existem diferentes tipos de assexualidade, o que levou à definição de um espectro ace. Cada classificação é representada por uma cor na bandeira da comunidade: preto, cinza, branco e roxo.

Os assexuais estritos são pessoas que não sentem nenhum desejo sexual (preto); assexuais da zona cinza ou grayssexuais ou A-Gray sentem desejo raramente ou em situações específicas ou preferem a masturbação solitária ao sexo com outra pessoa (cinza). Inclui os demissexuais, que sentem desejo sexual somente quando há vínculo afetivo. O branco simboliza as pessoas alossexuais, que sentem atração sexual e praticam sexo (não-assexuais). E o roxo engloba toda a comunidade assexual.

Confuso? Bom, ainda preciso dizer que pessoas assexuais podem ter relacionamentos afetivos ou serem arromanticas – ou seja, não sentir atração romântica. Não é uma regra que pessoas assexuais nunca se relacionem, mas é fato que não se relacionam da mesma maneira que pessoas alossexuais. Se nem bolo de chocolate é uma unanimidade, imagine algo tão complexo quanto a sexualidade humana...

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