Uma mulher branca e uma mulher negra, ambas de maiôs na cor vermelha, estão deitadas de barriga para baixo. A fotografia enquadra suas coxas e nádegas.

Períneo: muito mais que uma zona erógena

Entenda como esse conjunto de músculos desempenha importantes funções para a saúde sexual – da ereção ao orgasmo

Por Laíse Veloso

Muitas pessoas conhecem o períneo como aquele “caminho” entre a entrada da vagina ou a base do pênus e o ânus. Basta colocar um espelhinho entre as pernas para ver onde ele fica. Essa região aparentemente diminuta é bastante vascularizada e inervada, constituindo uma zona erógena do corpo – seu estímulo pode aumentar a excitação e proporcionar mais prazer. Mas o períneo tem uma estrutura bem mais complexa e outras importantes funções na saúde sexual, como veremos a seguir.

Formado por um conjunto de diferentes tecidos (músculos, fáscias e ligamentos), o períneo abrange os órgãos genitais externos: uretra, vagina e/ou pênis, ânus. É preciso que ele esteja íntegro para sustentar os órgãos pélvicos (bexiga urinária, útero e reto), auxiliar na defecação, na contração da uretra e vagina, entre outras coisas.

No contexto da masturbação ou do sexo, a contração dos músculos perineais é fundamental para 1)manter a ereção do pênis e do clitóris (sim, ele fica ereto!); 2) levar às contrações orgásticas, promovendo  sensação de prazer e descarga da tensão sexual; 3) direcionar a passagem do sêmen pela uretra, culminando na  ejaculação. Em pessoas com vagina, esses músculos também devem saber relaxar adequadamente para permitir que a penetração ocorra de forma prazerosa.  

A tensão excessiva do períneo pode provocar dor na relação (em pessoas com vagina ou pênis), muitas vezes impedindo ou dificultando a penetração do pênis na vagina, ou até o próprio toque no local. Em contrapartida, a frouxidão vaginal pode ser motivo de redução do prazer e sensação de vagina larga. O equilíbrio das funções desses músculos, bem como a sua integridade, é muito importante para a qualidade da relação sexual .

O períneo da pessoa com vulva é, sem dúvida, mais vulnerável. Para começar, essa fina camada muscular, que forma uma espécie de rede de sustentação da pelve, é atravessada por três canais – uretra, vagina e ânus. No caso de uma gravidez, o peso do bebê e do útero gravídico “empurra” todos os órgãos pélvicos para baixo. Isso pode resultar em enfraquecimento e lesão da musculatura perineal, uma vez que ele está sobrecarregado. 

- Leia mais: Escape de xixi durante o sexo pode ser incontinência urinária

Outro fator de risco é o próprio parto. Quando não bem assistido e respeitado o organismo da pessoa parturiente, a passagem do bebê pelo canal vaginal pode acarretar lesão do períneo, seja pela ocorrência de laceração espontânea ou pela realização da episiotomia (corte para facilitar sua saída, recomendado apenas em emergências). Ambas são traumáticas e danosas tanto à função do assoalho pélvico quanto do períneo.

Por isso o escape de urina durante a gestação, o parto e o pós-parto é comum – embora não deva ser considerado normal! Ele precisa ser encarado como um sinal de alerta de fraqueza dos músculos perineais. A reabilitação dessa região exige acompanhamento profissional especializado em fisioterapia pélvica. Realizar os famosos Exercícios de Kegel ou pompoarismo sem supervisão adequada pode agravar o problema.

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