Duas mulheres estão deitadas em uma cama, abraçadas e de olhos fechados. Uma delas tem cabelos longos na cor azul e tatuagens nos braços. A outra tem cabelos curtos castanhos e ondulados.

Para mandar bem no sexo, esqueça a perfomance

É a entrega verdadeira entre as pessoas que desperta o desejo, promove a química e leva ao prazer mútuo

Por Café com Pimenta

É verdade que vivemos uma época muito “sexualizada”, com acesso fácil aos conteúdos eróticos e informativos, além de maior permissão social para diferentes vivências – da compra de vibradores à realização de fantasias sexuais, como o BDSM. No entanto, parece que boa parte de nós ainda faz sexo com uma profunda preocupação com a performance sexual, pouca naturalidade e conexão com o próprio prazer. A sensação é de que há muita ginástica e uma espécie de competição entre quatro paredes... talvez para merecer o “título” de pessoa boa de cama. 

Essa ansiedade pelo desempenho é compreensível: a pornografia tem sido a principal fonte de educação sexual das últimas gerações. O impacto de seu consumo vem sendo associado à angústia em relação ao tamanho do pênis, quantidade de sêmen ejaculado, orgasmo via vagina em detrimento do estímulo no clitóris, gemidos exagerados, subjugação da mulher, dentre outros excessos e ficções. O sexo real deve ser o oposto da encenação - um momento genuíno de descontração, com troca e confiança, que se torne fonte de gozo. É uma forma de satisfação para o corpo e a mente. 

Ao mesmo tempo em que precisamos estar em sintonia com a parceria durante a relação sexual, devemos mergulhar em nossa imaginação e em todas as sensações do corpo para alcançarmos o orgasmo. Não existe fórmula universal ou receita mágica que funcione para todas as pessoas. Cada encontro é único. O sexo deve ser entendido como um espaço criativo e rico em possibilidades. A qualidade ou habilidade “boa de cama” tem muito a ver com o nosso repertório de vida (a educação sexual recebida na infância, as experiências adolescentes, as relações adultas etc) e a nossa personalidade (disposição em aprender, por exemplo).

Você só vai saber se uma prática ou outra fazem sentido se houver disponibilidade de ambas as partes em testar e ouvir o que a parceria achou. Boas e más experiências podem acontecer, portanto não as cristalize em sua mente nem se julgue tanto. Desprenda-se e se deixe surpreender. Você exercita os seus cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato) no sexo? Quando você toca a pele de alguém sem pressa, por exemplo, é capaz de perceber sua temperatura, suavidade, firmeza, frescor... E então passa a se conectar com o momento presente, ao invés de permitir que a sua mente divague ou crie expectativas sobre o sexo que está acontecendo. Para transar, tire a roupa e as idealizações, autocríticas, julgamentos. 

Em linhas gerais, as pessoas boas de cama conhecem o próprio corpo e se masturbam, sabem o que e como gostam, se interessam pelo que excita a parceria, conseguem se comunicar sem receios, estão abertas e disponíveis para experimentar algo novo. Elas não estão focadas em se exibir ou impressionar, mas têm a capacidade e a coragem de se entregar completamente àquele instante de prazer. Deixam a parceria à vontade para se soltar também. Sexo é uma espécie de dança improvisada. É preciso chegar a um ritmo comum para ser bom para todas as pessoas.

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