Um homem branco e uma mulher negra estão sentados em um sofá – cada um numa ponta. Eles se olham com a expressão séria e uma das mãos apoiando a cabeça.

Convivência na pandemia diminuiu o seu desejo?

Pesquisa revela que a frequência sexual dos casais diminuiu desde o início da Covid-19

Por Eduardo Yabusaki 

Não é só uma “impressão” sua ou algo que aconteceu apenas ao seu relacionamento. A pandemia de Covid-19 impactou negativamente a vida íntima de muitos casais. Dentro e fora do consultório, percebo que o desejo sexual anda inconstante ou vulnerável. Para se ter ideia, 45% das pessoas no Brasil tiveram redução no número de relações sexuais e 36% diminuíram a frequência de masturbação. Os dados são de uma pesquisa do Data Folha, com quase mil participantes, divulgada em dezembro de 2021.

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Além de todo o estresse decorrente da disseminação do novo coronavírus (como medo de adoecer, luto, insegurança financeira), muitas pessoas tiveram que reorganizar toda a estrutura do lar e transformá-lo em ambiente de trabalho – não raro, com a presença de crianças. Ou seja, as questões habituais do dia a dia passaram a exigir bem mais de nós, desfavorecendo a intimidade e o sexo.

Antes da pandemia, na maioria dos casais, cada pessoa seguia a própria rotina e estava envolvida com seu trabalho ou atividade. Encontravam-se no final do dia, momento em que conversavam e se atualizavam sobre a parceria. Havia mais saudade e novidade, a possibilidade de reacender desejos e afetos. O modelo de home office, especialmente em espaços pequenos, transformou a convivência em algo constante (e até sufocante!).

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Essa intensa e inevitável convivência desgasta o relacionamento, repercutindo em forma de discussões e distanciamento físico. Acontece a perda de interesse ou desejo e, consequentemente, a diminuição da frequência sexual. Quando os conflitos surgem, é preciso aparar arestas, resolver mágoas e buscar resoluções. Para casais já desgastados, o embate é improdutivo: melhor que cada pessoa se recolha para refletir ou desestressar em alguma atividade a sós.

Enfim, não basta reconhecer as dificuldades quanto ao desejo sexual. É preciso fazer algo pela reaproximação da parceria. Esforço mútuo para resgatar e reparar a vida sexual. Em geral, o tesão ou libido só é “espontâneo” no início da relação. Depois ele precisa ser estimulado, despertado ou criado – chamado de desejo “responsivo”. Não dependa pura e simplesmente da espontaneidade... Ela pode não acontecer.

*Foto: Pexels / Klaus Nielsen

 

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