Um dedo abrindo uma fresta em uma cortina persiana.

Voyeurismo, o prazer de observar nudez e sexo alheio

Entenda as características do fetiche e quando ele pode ser considerado um transtorno mental

Por Theo Alarcon

Voyeur é uma palavra francesa cujo significado de origem é “o que vê” ou “pessoa que assiste algo por curiosidade”.  Com a popularização do termo, ele também ganhou conotação sexual e passou a ser sinônimo de “pessoa que se excita ao ver a nudez ou o ato sexual de alguém”. O estímulo visual por si só tem potencial para desencadear o tesão, portanto não é incomum encontrar quem assume esse fetiche.

Existem diversas escalas de voyeurismo e, apesar do tabu, ele pode ser explorado de forma responsável. Nem todas as pessoas que sentem prazer na observação da intimidade alheia fazem isso de forma velada. É comum que voyeurs procurem lugares apropriados para exercer o fetiche, como casas de swing, e recebam autorização para observar. Ou marquem encontro com outras pessoas que gostam desse jogo sexual e até encenem uma observação secreta - ou não.

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O “match” entre exibicionistas e voyeurs traz benefícios mútuos. Muitas pessoas se mostram intencionalmente e sentem prazer POR CAUSA do prazer de quem observa. Enquanto o voyeurismo faz parte de um componente erótico e está integrado de forma consensual na vida sexual, podemos entender a fantasia como algo positivo e saudável. Ser voyeur não significa – automaticamente - ter uma “perversão”.

Até pouco tempo atrás, o comportamento sexual tido como “normal” era o sexo entre um homem e uma mulher cisgêneros, com penetração vaginal e a finalidade de reprodução. Qualquer desejo ou prática que se distanciasse desse padrão (desde orientações não-heterossexuais ao sexo anal e outras fantasias sexuais) costumava ser rotulado como patológico. Não foi diferente com o voyeurismo.

Na literatura acadêmica, o voyeur é representado como a pessoa que espia escondido e sem consentimento. Ela teria comportamentos e desejos sexuais fora da norma, chamados pela medicina de “parafilias”. Mas simplesmente “desviar da norma” não configura um transtorno mental. O voyeurismo assume caráter patológico (“doentio”) quando tem consequências negativas para a própria pessoa ou para outras, e/ou quando é satisfeito de forma não consensual.

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Portanto, quando se torna uma necessidade, a pessoa só consegue se excitar ao ver ou espionar a intimidade de outra, e abdica de outras práticas sexuais pela fixação neste modelo. Neste caso estamos diante de um transtorno parafílico, o que exige atenção e tratamento psicológico e/ou médico.

O consentimento é o pilar de uma prática sexual saudável. Ao ignorar essa permissão a pessoa acaba cometendo um crime, pois viola a privacidade alheia. Se você suspeitar que o fetiche está afetando a sua vida ou o seu relacionamento, busque orientação com profissionais especialistas em sexualidade – por exemplo, terapeutas sexuais.

*Foto: Pexels / YES

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