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Pênis torto é normal ou problema de saúde?

Médico urologista explica quando se preocupar com a curvatura do genital e como tratar a Doença de Peyronie. Spoiler: não tente endireitar o pênis em casa!

Por Matheus Brandão Vasco

Os pênis não variam apenas em formato e dimensão, mas também em curvatura. Nem todo órgão genital tem uma ereção absolutamente retilínea: pender um pouco para uma ou outra direção (até 20 graus) pode não ser um problema de saúde. Mas algumas pessoas têm o pênis tão “torto” que sentem dor e podem enfrentar uma série de dificuldades na relação sexual. Estima-se que entre 3% a 20% das pessoas com pênis sofram com a Doença de Peyronie - índice que pode ser ainda mais alto entre pacientes com Diabetes.

A Doença de Peyronie pode ser considerada uma curvatura peniana adquirida e acometer o pênis ao longo da vida causando dor, tortuosidade, problemas sexuais e psicológicos. Geralmente ela é associada ao “pênis torto”, embora essa caraterística não seja obrigatória para o diagnóstico. Algumas vezes não há alteração na curvatura, mas o órgão apresenta uma placa palpável endurecida, que pode levar à dor e dificuldade de ereção.

Causas e sintomas

Ainda não sabemos exatamente as causas e as “engrenagens” da Doença de Peyronie. Estudos científicos apontam que traumas diretos, microtraumas durante relação sexual ou até mesmo pequenas lesões de vasos sanguíneos no órgão genital podem levar à formação de uma placa fibrosa no tecido que reveste o pênis e faz parte do mecanismo da ereção peniana.

Durante a ereção, essa placa fibrosa pode restringir o aumento do comprimento do pênis e o órgão genital curvará para o lado da placa. Ou seja, ele pode ficar “torto” para cima (dorsal), para baixo (ventral), lateral direita ou esquerda. Além disso, podem surgir alterações que se assemelham a uma ampulheta ou até mesmo relevos e reentrâncias no pênis.

O diagnóstico da doença de Peyronie é clínico. A pessoa com pênis procura o atendimento urológico dizendo que notou alguma alteração no órgão genital, tais como:

- Apalpação da placa peniana;

- Alteração da curvatura peniana;

- Dor no pênis em repouso e/ou na ereção. 

Algumas pessoas contam que, após o surgimento do tecido fibroso, apresentaram diminuição do comprimento peniano e dificuldade de ereção (prevalência de 37% a 58%, mais do que na população em geral). Essas duas consequências frequentes da doença de Peyronie são fatores de risco para problemas emocionais e no relacionamento.

Como tratar

A partir do momento em que a pessoa com pênis observa uma alteração no genital, é importante fazer o acompanhamento com urologista. Ao longo de um ano, o “pênis torto” pode ter melhora, estabilização ou progressão na curvatura. Durante esse período, nenhuma intervenção cirúrgica é recomendada.

Nesta fase da doença, as pessoas com “pênis torto” costumam escutar sobre medicamentos que “resolvem” a doença de Peyronie. Os mais alardeados atualmente são vitamina E, colchicina, pentoxifilina e potaba. No entanto, instituições nacionais e internacionais de urologia recomendam apenas o uso de anti-inflamatórios para pacientes que se queixam de dor e/ou inibidores de fosfodiesterase 5 - por exemplo, sildenafila e tadalafila.

Em determinado momento (variável entre pacientes), a queixa de desconforto ou dor local termina, assim como a tortuosidade do pênis para de progredir. Essa é considerada a fase de estabilidade. Então, o que fazer?

  • Pacientes com a doença está estável, com ou sem a curvatura peniana, mas NÃO tem dificuldade ou dor na penetração e a parceria NÃO queixa de dor na relação sexual > basta manter o acompanhamento médico.
  • Pacientes coma doença estável, COM a curvatura peniana e COM dificuldade ou dor na penetração e/ou a parceria COM queixa de dor na relação sexual > indicação de correção cirúrgica depois de 3 a 6 meses da estabilidade.

É fundamental entender e documentar o quanto o pênis está curvado. O relato pessoal e uma fotografia do órgão ereto auxiliam na avaliação. Pode ser necessária a aplicação de um medicamento direto no pênis, durante a consulta médica, para induzir a ereção e analisar a curvatura.

A decisão sobre uma intervenção cirúrgica deve levar em conta a fase de estabilidade, as queixas pessoais e a dificuldade para a relação sexual. O objetivo é reestabelecer a função sexual, mas qualquer procedimento cirúrgico tem riscos envolvidos – e eles devem ser discutidos no pré-operatório.

*Foto:Pexels / Deon Black

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