Um berço com móbile colorido está encostado ao lado de uma cama de casal.

Não faça sexo no mesmo cômodo que as crianças (nem se estiverem dormindo)

Entenda como presenciar uma cena erótica pode ser traumático até para um bebê

Por Ana Luiza Fanganiello

Por diversas razões, muitas pessoas adultas acabam dormindo no mesmo cômodo que as crianças. Às vezes, acontece de forma pontual, como uma viagem de férias em família. Em outras, não há espaço na casa para garantir quartos separados. Ainda existem casos em que, para facilitar a rotina com o bebê de madrugada, é adotada a cama compartilhada ou berço acoplado. De qualquer forma, a presença infantil em um ambiente destinado à privacidade do casal pode ser complicada do ponto de vista da sexualidade.

Primeiro porque essa presença tende a minar o desejo e a fantasia sexual: como fica a permissão para se entregar livremente ao sexo? No entanto, algumas pessoas simplesmente não veem problema em transar no mesmo quarto que seus filhos, desde que estejam dormindo ou sejam bebês. “Eles não vão entender”, dizem. Não é bem assim. Bebês e crianças pequenas têm micro despertares durante o sono, além de percepção a respeito do ambiente.

Sexo tem cheiro, barulho, expressões faciais... Caso acordem, podem não entender o que está acontecendo (porque não faz parte de seu repertório) e se assustar. Movimentos, caras e gemidos de prazer de uma pessoa adulta podem ser compreendidos como algo violento, de dor, de desprazer. Essa cena tem, sim, condições de traumatizar uma criança da mais tenra idade e atrapalhar seu desenvolvimento saudável.

- Leia: Como ensinar consentimento e proteger crianças de abuso sexual

Cabe às pessoas cuidadoras zelar para que a inocência dela seja preservada. Você veria um filme pornô se o bebê estivesse dormindo ali? Espero que não. Deixaria com outra pessoa sabendo que ela está transando ao lado do seu filho? E por que não? Temos que respeitar a dignidade da criança. E eu nem vou entrar muito no mérito jurídico do assunto... Apenas pontuar que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a prática de ato libidinoso na presença de menor de idade é passível de punição.

Não significa que o casal está impedido de fazer sexo, mas precisa usar mais a imaginação e contar com a ajuda de outras pessoas. Se moram em uma casa com apenas um cômodo, uma saída talvez seja transar no banheiro, por exemplo. Ou quando a criança estiver fora de casa – na escola, com familiares etc. Se a questão é a cama compartilhada, mas existem outros cômodos... mais fácil de resolver. Arrumem outras formas de fazer sexo com privacidade, mas jamais transe no mesmo recinto em que está o bebê ou a criança.

Voltar para o blog

Deixe um comentário

Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.