Um homem branco e desnudo está sentado abraçando as próprias pernas e com expressão cabisbaixa.

Por que alguns homens demoram ou não conseguem gozar no sexo?

Andrologista explica a diferença entre ejaculação retardada, anejaculação e anorgasmia masculina

Por Matheus Brandão Vasco

Meia hora de penetração e nada. Troca de posições, sexo oral, estímulos manuais e nada. Alguns homens cis e pessoas com pênis têm dificuldade de gozar e ejacular durante a relação sexual, o que pode afetar tanto o prazer individual como a satisfação do casal (seja uma parceria fixa ou casual).

É comum que essas pessoas se expressem assim: “Não consigo chegar ao orgasmo no sexo”. Em primeiro lugar, por mais estranho que pareça, orgasmo e ejaculação não são a mesma coisa. Comecemos por aí antes de falar sobre possíveis diagnósticos – ejaculação retardada, anejaculação e anorgasmia masculina*.

O processo de ejaculação corresponde a uma resposta ao estímulo sexual e tem as seguintes etapas:

  • Emissão: quando o líquido (sêmen) a ser ejaculado chega à uretra;
  • Ejeção: quando o líquido (sêmen) é expulso da uretra para o meio externo;
  • Orgasmo: sensação do prazer que pode acontecer (no cérebro) durante a masturbação ou o sexo.

Sendo assim, uma pessoa com pênis pode ter a sensação do prazer e não ejacular (expelir sêmen) ou pode ejacular e não ter orgasmo (ápice do prazer seguido de relaxamento).

Diagnósticos

A ejaculação retardada corresponde a um atraso para ejacular, apesar do estímulo sexual. Quando a pessoa acaba não ejaculando durante a relação sexual chamamos de anejaculação. Caso ocorra a ejaculação, mas a pessoa não tem a sensação do prazer, damos o nome de anorgasmia.

Causas: por que isso acontece?

Existem algumas possíveis causas para a ejaculação retardada, a anejaculação e a anorgasmia masculina. Desde doenças crônicas e psicológicas até hábitos de masturbação, elas podem provocar alterações neurológicas e/ou interferir no controle do gozo da pessoa com pênis.

  • Ansiedade de desempenho, estresse e questões de saúde mental;
  • Envelhecimento (pode ter alteração dos nervos, interferindo na ejaculação);
  • Alteração hormonal (testosterona, prolactina, TSH e T4 livre);
  • Medicamentos (inibidores seletivos de recaptação de serotonina e antipsicóticos);
  • Consumo de pornografia (incompatibilidade entre as fantasias sexuais e o sexo praticado);
  • “Técnica” de masturbação (como aplicar muita força com as mãos; o estímulo dos genitais/boca no sexo soa “insuficiente”)
  • Cirurgias pélvicas/perineais;
  • Radioterapia pélvica;
  • Diabetes melito, esclerose múltipla etc.

O que fazer? Tem cura?

É importante buscar atendimento médico com urologista e/ou andrologista (que atua especificamente na função sexual masculina*). Independente da causa do problema, ele só será considerado como uma disfunção sexual se for constatado que acontece de forma recorrente e provoca incômodo/sofrimento.

A consulta deve investigar os fatores orgânicos, psicológicos se sexuais que podem ter levado à ejaculação retardada ou anejaculação ou anorgasmia. Avaliação física e realização de exames também costumam ser necessários para orientar o melhor tratamento.

Tratamentos

As alternativas variam de acordo com os fatores envolvidos no quadro de ejaculação retardada, anejaculação ou anorgasmia. Por exemplo: pode envolver uma mudança no estilo de vida (como ter relações sexuais quando não estiver cansado), terapia psicológica e/ou uso de medicações.

Ou o tratamento pode recomendar redução do consumo de pornografia e avaliação de como ele impacta a relação sexual – um processo de reeducação sexual mesmo. Nos casos de pacientes com lesão medular, a saída pode ser uma combinação de remédios e estímulo vibratório no pênis.

De qualquer forma, não deixe que a vergonha ou o tabu te impeçam de procurar ajuda profissional e ter uma vida sexual mais prazerosa.

*Foto: Pexels

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