Duas mulheres estão abraçadas debaixo do chuveiro. A mulher branca de cabelos compridos beija o rosto da parceira, uma mulher negra de cabelos curtos e tatuagens no braço.

Gouinage: sexo sem penetração não é preliminar

A prática, frequente não apenas entre lésbicas, explora diferentes formas de prazer – como fricção dos corpos, sexo oral e masturbação conjunta

Por Theo Alarcon*

Sexo não é sinônimo de penetração, assim como penetração não é garantia de prazer e orgasmo. Algumas pessoas preferem ter relações sexuais que envolvem outras práticas - como sexo oral, fricção de corpos, masturbação conjunta ou trocada. Essa escolha se dá por diferentes motivos (identidade de gênero, disfunção erétil, vaginismo, deficiência física etc) ou em determinadas fases da vida (como gestação e pós-parto). E não há nada de errado. Por que o sexo sem penetração é visto com estranhamento e considerado “apenas preliminares” pelo senso comum?

Uma das explicações está ligada ao falocentrismo. Esta forma de pensamento coloca o homem - simbolizado por seu falo - como fundamental e superior nas relações sociais, inclusive no sexo. Logo, na visão cisnormativa, supõem-se que a presença do pênis ou de uma representação dele (como prótese de borracha) seja indispensável para a satisfação sexual. Não é verdade: o sexo não pode ser definido pela introdução de algo na vagina ou no ânus, mas pela exploração de todos os sentidos... Tocar, ouvir, sentir o cheiro e o gosto, ver o prazer da outra pessoa.

O sexo sem penetração também é chamado de “Gouinage”, que significa “lésbica” em francês. Essa associação não condiz totalmente com a realidade. No sexo entre pessoas com vagina, pode haver penetração vaginal ou anal (com cinta peniana  e vibradores , por exemplo)... só não é essencial. Ou seja, elas recorrem a outras zonas erógenas, além de diversas práticas tão ou mais excitantes: beijar, lamber, morder, esfregar, massagear etc.

Há quem confunda erroneamente o Gouinage com sexo ou massagem tântrica. Embora sejam conceitos distintos, existem pontos em comum: a exploração do corpo como um todo (muito mais que os genitais) e dos sentidos (visão, tato, olfato, audição, paladar); reconhecimento de novas formas de prazer (além da penetração); mais atenção às sensações excitantes e menos pressa para gozar.

O estímulo sexual pode acontecer a partir de uma boa conversa, mexer com a imaginação e até despertar fantasias sexuais. Dependendo do nível de envolvimento entre as pessoas, é possível chegar ao orgasmo sem sequer tirar a roupa. Portanto podemos entender como preliminares toda e qualquer demonstração de desejo e/ou afeto. Tudo aquilo que você faz para que o sexo aconteça: desde troca de mensagens eróticas até um beijo mais “quente”, das mãos percorrendo o corpo alheio às primeiras respostas físicas de prazer. Depois o desejo aumenta, as roupas deixam de ser uma barreira e o contato se torna mais íntimo. Então acontece o sexo em si, independentemente da penetração.

 

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