Um homem branco de barba está deitado em uma cama, com um dos braços atrás da cabeça e o olhar pensativo. Ao lado está uma mulher branca de cabelos compridos, que o encara com um dos braços sobre seu peito.

Falta de libido: é normal o homem não sentir desejo sexual?

Terapeuta de casais explica as principais causas da diminuição do tesão masculino – e como aponta como recuperá-lo

Por Eduardo Yabusaki

Há um senso comum de que “homem não nega fogo”, “está sempre pronto para o sexo” e “dá conta do recado”. O que essas expectativas refletem não é a realidade, mas uma sociedade predominantemente machista. Como terapeuta sexual, atendo pacientes com perda ou diminuição significativa de desejo pela parceria – às vezes, de uma hora para outra. Eles se sentem desconfortáveis, intimidados e têm receio de dizer “não” para as iniciativas sexuais. 

Causas e o que fazer

Mas o que explica a queda do apetite sexual no caso dos homens cis? Não existe uma única razão. Para despertar o desejo e ter um sexo prazeroso, precisamos de uma série de condições favoráveis - como boa saúde geral e mental, autoconfiança e autoconhecimento, relacionamento com comunicação e intimidade, entre outras. Quando um desses pilares está frágil ou danificado, a libido pode ser afetada.

  • Saúde geral

Alterações hormonais (como a redução de testosterona, natural com o envelhecimento), bioquímicas (como uso de determinadas medicações) e até doenças neurológicas podem ter um efeito danoso à libido. Sedentarismo, tabagismo e má alimentação também. Caso aconteça uma alteração no desejo sexual, principalmente uma queda significativa, é importante passar por uma avaliação médica com urologista e/ou endocrinologista. A reposição hormonal (de testosterona, por exemplo) é indicada com bastante cautela em função de seus efeitos colaterais – como associação com alguns tipos de câncer.

  • Saúde mental

A vida cotidiana está cada vez mais desfavorável ao desejo sexual: estresse, sobrecarga, pressões e cobranças constantes. Esse estado de alerta constante aumenta o cortisol e adrenalina, hormônios que atrapalham a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela alegria e pelo prazer. Além disso, pessoas que sofrem com ansiedade e depressão também costumam perder a vontade de transar. Nestes casos, a recomendação é buscar profissionais da psicologia.

  • Disfunções sexuais

Homens com problemas de ereção e ejaculação rápida podem evitar as relações sexuais por medo de “falhar”, não ter o desempenho que gostariam e amargar a frustração. Ou seja, uma queixa sexual alimenta outra, em um ciclo vicioso. Existem diferentes tratamentos para essas disfunções sexuais: no mundo ideal, o paciente passa por consulta com urologista e mantém o acompanhamento com psicólogo(a) especialista em sexualidade.

  • Relacionamento estável

A dinâmica da relação pode impactar o desejo sexual do homem também. Por exemplo, se o casal briga com frequência, não consegue interagir entre si, guarda sentimentos negativos (como mágoa e raiva) ou não tem disponibilidade para estar com a parceria. De maneira geral, é preciso que o clima esteja minimamente tranquilo e favorável para que o tesão apareça. 

Além disso, nos relacionamentos de longo prazo, é natural que os estímulos sexuais que despertam o desejo mudem com o passar do tempo. Aquilo que sempre funcionou para provocar a libido alheia pode não funcionar mais. Cabe a cada pessoa comunicar à parceria como se sente e, juntes, buscarem novas possibilidades para reacender essa chama.

Intenção e esforço

O desejo sexual pode e deve ser sempre ser explorado neste sentido de diversificação de estímulos e no aumento de repertório de situações que sejam sexualmente interessantes, agradáveis e prazerosas. Lembre-se da fórmula: Sexo bom = curtição + exploração + satisfação mútua.

Muitos pacientes chegam ao consultório com o estigma de que não vão recuperar mais sua libido. Recuperá-la passa – principalmente - pela mudança de hábitos. Como tudo em nossas vidas, quanto mais temos uma situação de prazer e satisfação, mais queremos que ela se repita. Não é diferente com o sexo...

 

*Foto: Pexels / Cody Portraits

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