Existe vida sexual depois dos 50 anos – e ela pode ser muito boa!

Existe vida sexual depois dos 50 anos – e ela pode ser muito boa!

Dificuldades com ereção e lubrificação são naturais do envelhecimento, mas podem ser tratadas de diferentes formas

Por Carolina Ambrogini 

Foi-se o tempo em que envelhecer era sinônimo de cuidar de netos(as)! As pessoas com mais de 50 anos transam e querem continuar transando com qualidade. Esse tabu começou a ser derrubado na década de 1990, com o surgimento de remédios para dificuldades relacionadas à ereção. Na época, o Viagra foi revolucionário pela perspectiva de uma vida sexual ativa sem idade para acabar (sim, infelizmente, a sociedade ainda reduz o sexo à penetração).

Significa que hoje estamos super à vontade com a ideia de que “avós fazem sexo”? Não. Mas há muito mais abertura para discutir o prazer na maturidade e na terceira idade, assim como opções de tratamento para as questões que afetam a saúde sexual. Até poucas décadas atrás, a menopausa representava o fim da capacidade reprodutiva e do erotismo. Isso não se devia apenas às expectativas sociais – o envelhecimento realmente promove mudanças no corpo e na resposta sexual...

O que muda no corpo?

A ereção do pênis, por exemplo, depende dos microvasos que compõem os corpos cavernosos do genital. Com o avanço da idade, eles podem ser acometidos por diversas doenças: aterosclerose, diabetes, neuropatias, tabagismo, câncer de próstata, baixa testoterona etc. Quando esses vasos não estão saudáveis, a ereção perde potência (rigidez) e manutenção (duração).

Por isso a incidência de disfunção erétil aumenta de acordo com a faixa etária, sendo a principal disfunção sexual causada pelo envelhecimento. Os medicamentos para ereção geram uma vasodilatação momentânea dos vasos penianos, dando uma ajuda extra para pessoas com dificuldade de obtê-la ou mantê-la durante a relação sexual. O ideal é adotar hábitos de vida saudáveis desde sempre para evitar esse inconveniente mais tarde.

Problemas na produção de testosterona (gatilho do tesão) também costumam acontecer mais frequentemente após os 50 anos, diminuindo  a libido da pessoa com pênis, mas é possível repor o hormônio – no Brasil, por meio de gel e injeção; nos Estados Unidos, há até desodorante e spray nasal de testosterona  para quem se identifica com o gênero masculino.

Quem dera a ciência se dedicasse com o mesmo afinco para as questões que envolvem o prazer  sexual das pessoas com vagina... A redução progressiva (e definitiva) de estrogênio na menopausa costuma gerar atrofia e o ressecamento vaginal. Não à toa, a penetração de pênis ou vibradores pode ser dolorosa. Embora a reposição hormonal ajude a amenizar esse e outros sintomas, ela não é indicada para todas as pessoas – especialmente depois dos 60 anos. 

Para melhorar a lubrificação vaginal, uma boa alternativa são os cremes com hormônios em sua formulação. Eles preservam a saúde da vagina, não oferecem riscos (pois agem apenas nos genitais) e não têm restrição de uso por idade. Além disso, surgiram tecnologias como laser vaginal e radiofrequência para “rejuvenescer” tanto  a vulva quanto o canal vaginal.

Esses tratamentos estimulam a vascularização e a síntese de colágeno, promovendo a lubrificação e a garantindo a elasticidade dessas regiões. Sexualmente reduz o atrito, aumenta o conforto e a sensibilidade. São alternativas muito eficazes, mas não são baratas. Se estiverem fora do seu alcance, pergunte sobre hidratantes vaginais e lubrificantes íntimos na próxima consulta ginecológica.

A cabeça envelheceu ou amadureceu?

O corpo de quem transa é reflexo da sua saúde e hábitos de vida, mas a mente tem um papel muito importante também. A vida sexual após os 50 anos reflete as escolhas feitas no dia a dia: da alimentação ao relacionamento amoroso, da relação com o trabalho aos objetivos para o futuro etc. Sexualidade é energia que pulsa! Não combina com tristeza, depressão, passividade, mágoas, amargura.

Manter-se em atividade, passeando, fazendo algo que proporcione alegria e estar em paz com tudo o que foi vivido é essencial para desfrutar do prazer erótico. Aliás, para desmistificar a sexualidade na maturidade, muitas pessoas acreditam que ela fica até melhor... Já se viveu um bocado e, em geral, sabe-se o que quer e o que gosta, há mais tempo para curtir a vida sem crianças pequenas ou tantas responsabilidades. No caso das pessoas com útero, não há mais receio de engravidar.

Aproveite essa liberdade para experimentar coisas novas! Talvez uma noite no motel, colocar em prática uma fantasia sexual do casal, criar um perfil em aplicativo de encontros, fazer uma massagem tântrica, montar uma gaveta de produtos eróticos. Por que não? Desejo não tem prazo de validade. Entre as vantagens de envelhecer está a sabedoria. E você já está sabendo que existem  vibradores incríveis, inclusive com sugador de clitórios acoplado?

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