Uma mulher branca de cabelos castanhos até os ombros está com uma expressão desconcertada. Ela veste uma camisa estampada em branco e verde.

Escape de xixi durante o sexo pode ser incontinência urinária

Mais frequente entre mulheres, situação costuma levar à diminuição do desejo sexual e dificuldade de chegar ao orgasmo. Saiba como tratar

Por Laíse Veloso 

Incontinência urinária é a queixa de perda involuntária de urina, segundo a definição da Sociedade Internacional de Continência. Quase três vezes mais frequente em pessoas com vagina, o escape de xixi pode acontecer em situações banais: durante um espirro, ao subir uma escada e até mesmo no sexo. Embora seja comum, essa condição de saúde jamais deve ser considerada normal porque pode afetar seriamente a autoestima, a qualidade de vida e dos relacionamentos. Quer ver só? 

Uma pesquisa do Ambulatório de Disfunção Miccional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com mais de 350 mulheres cisgênero entre 30 e 80 anos, divulgada em 2016, mostrou que, entre aquelas que sofriam perda involuntária de urina, 49% tinham escapes durante o sexo e 53% apresentavam disfunção sexual – seja em relação à dor, desejo ou orgasmo. Outro estudo, publicado no periódico BJU International em 2018, mostrou que mulheres cis com incontinência urinária tiveram declínio na atividade sexual e na excitação. 

Entre os vários tipos de incontinência urinária, o principal é a Incontinência Urinária de Esforço. Como o próprio nome indica, a perda de urina acontece durante a execução de alguma atividade que gere aumento da pressão abdominal - como o simples ato de tossir, espirrar ou rir. Estima-se que um terço das pessoas com vagina apresentarão esse tipo de disfunção ao longo da vida. A probabilidade aumenta de acordo com o envelhecimento e a quantidade de partos. 

A idade influencia porque, com a menopausa, ocorre o fim da produção de estrogênio no organismo. A falta desse hormônio faz com que a uretra (canal por onde sai a urina) diminua em extensão e fique um pouco mais aberta, favorecendo os escapes involuntários de urina. Além disso, a escassez de estrogênio leva ao enfraquecimento dos músculos perineais, que formam o assoalho pélvico, gerando uma sarcopenia (diminuição do tamanho e do número das fibras musculares). Sem um músculo forte para se opor ao aumento da pressão abdominal, maior a chance de vazamento de urina da bexiga.

O ganho de peso corporal também favorece a incontinência, uma vez que também gera aumento de pressão sobre a bexiga urinária. Pessoas obesas, com sobrepeso e grávidas (pelo crescimento do útero, feto, volume abdominal) tendem perder xixi com mais frequência. E a quantidade de partos impactam POR CAUSA ??? TANTO FAZ O TIPO DE PARTO, SE TEVE LACERAÇÃO OU NÃO?

Quando os escapes de urina acontecem durante o sexo, seja na penetração ou no orgasmo, chamamos de incontinência coital. Como revelam os estudos que mencionei no início deste texto, muitas pessoas com vagina que sofrem dessa condição ficam constrangidas e desmotivadas para as relações sexuais. Elas têm vergonha e medo de experimentar um novo episódio, mesmo que sua parceria sexual não se importe com a perda de xixi.

É comum que essas pessoas não se engajem adequadamente, não relaxem e não consigam participar do sexo com satisfação. Se não entrarem no Ciclo da Resposta Sexual (voltando o foco para as sensações físicas prazerosas da troca com a parceria), elas não ficarão excitadas, dificilmente atingirão o orgasmo e provavelmente sentirão desconforto ou dor durante o ato. Com o tempo, tudo isso pode afetar seu desejo sexual e sua libido.

A Incontinência Urinária sempre vai exigir tratamento. Não menospreze a perda de “algumas gotinhas de xixi” nem se conforme com um quadro “natural da idade”. Você deve buscar acompanhamento com profissionais de urologia, ginecologista (ou uroginecologista) e fisioterapia pélvica. A reabilitação do assoalho pélvico por meio de exercícios – com ou sem acessórios - é imprescindível para aprimorar o autocontrole dos músculos e evitar o escape de urina. Muitas vezes é possível, inclusive, curar o problema desta forma. 

No entanto, em casos mais graves, pode ser necessário o uso de medicamentos. As cirurgias devem ser realizadas apenas como último recurso. Se você sofre de incontinência urinária, não espere por uma piora. Procure ajuda o mais rápido para reverter a situação com mais facilidade. Assim você melhora sua qualidade de vida de forma global, ganhando mais saúde e prazer sexual também.

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