Uma mulher branca com roupa de ginástica está deitada com os braços erguidos acima da cabeça, as pernas flexionadas e o tronco sustentado pela ponta dos pés.

Entenda o que é assoalho pélvico e sua importância para o prazer sexual

Exercícios de fortalecimento para o grupo de músculos tratam de incontinência urinária à “flacidez vaginal” e podem até intensificar orgasmos

Por Laíse Veloso*

Você já deve ter ouvido falar em fisioterapia pélvica, especialmente se está gestante ou conhece alguma. Os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico são muito interessantes, por exemplo, para o trabalho de parto. Neste texto, quero contar que eles também auxiliam no tratamento de disfunções sexuais, como dor na penetração vaginal e dificuldade de chegar ao orgasmo. Não, não se trata de pompoarismo, mas de uma especialização para profissionais da fisioterapia atenderem pacientes com diversas demandas de saúde.

O que é o assoalho pélvico? Para que serve?

O assoalho pélvico é um conjunto de estruturas (músculos, tecido conjuntivo, nervos e vasos sanguíneos) que fecham o anel ósseo da pelve inferiormente. Em outras palavras, seria como o “chão” da pelve. Localizado na região dos genitais, ele possui importantes funções: mantém a postura e a estabilidade da pelve e da porção final da coluna; sustenta e suporta órgãos como a bexiga, o reto e o útero; ajuda a fechar tanto uretra quanto o ânus, impedindo a perda involuntária de urina e fezes.  

 

Ilustração mostra o grupo de estruturas que formam o chamado assoalho pélvico no corpo de pessoas com vagina

 

Além disso, os músculos do assoalho pélvico têm grande influência na sexualidade. Por exemplo, é necessário que eles estejam suficientemente relaxados para que a penetração do pênis, dedos ou qualquer objeto (como vibradores) na vagina não cause desconforto ou dor. Sabemos também que alguns desses músculos estão ligados ao clitóris. Portanto, a intensidade de sua contração reflete na capacidade orgástica da mulher cisgênero, do homem transgênero e demais pessoas com vulva.

Ginástica íntima em busca do tônus adequado

Os músculos do assoalho pélvico precisam apresentar um tônus adequado - nem aumentado, nem diminuído – para que funcionem de forma correta. Ou seja, eles devem ser capazes de contrair de modo forte, assim como relaxar completamente. Qualquer alteração nessas ações pode desencadear as disfunções do assoalho pélvico, uma gama de condições clínicas que ocorrem seja por falta ou excesso de força na contração.

Quando esses músculos estão fracos, as pessoas com vulva podem apresentar incontinência urinária (que nunca deve ser considerada normal) e disfunções sexuais, como dificuldade de chegar ao orgasmo ou diminuição da percepção de fricção durante a penetração vaginal - a sensação de “vagina larga” ou flácida. Trata-se de uma impressão: não é a vagina que está alargada, mas os músculos íntimos que estão enfraquecidos. Sem tônus adequado, a sensibilidade do canal vaginal fica reduzida.

O treinamento dos músculos do assoalho pélvico, popularmente conhecidos como Exercícios de Kegel, é parte essencial na melhora desse tipo de queixa. A contração correta envolve o fechamento da vagina e do ânus, movimentando para cima essas estruturas. Hoje sabemos que as 400 contrações por dia preconizadas pelo médico alemão Arnold Kegel, idealizador desses exercícios, é um exagero!

Mas todas as pessoas com vulva deveriam ter o hábito de realizar essas contrações diariamente, em diferentes posições. A posição deitada, de barriga para cima, é mais fácil e indicada para iniciantes. O nível de dificuldade aumenta ao ficar em pé, assim como durante outros exercícios físicos - caminhada, agachamento ou abdominal. O movimento correto não envolve contração dos glúteos, da coxa e da barriga. Ele é imperceptível, ou seja, somente quem executa sabe o que está acontecendo.

Embora pareça uma tarefa simples, cerca de 30% das mulheres cisgênero não conseguem contrair o assoalho pélvico de modo correto. Muitas delas fazem o movimento contrário, como se empurrassem o períneo para baixo. Caso tenha dúvidas, marque uma consulta com uma pessoa profissional especializada na área (ginecologista ou fisioterapeuta pélvica). O treinamento do assoalho pélvico praticamente não tem contraindicação. Pode e deve ser realizado de modo rotineiro e em qualquer momento do dia.

Os benefícios do fortalecimento dessa musculatura são muitos. É o principal tratamento de problemas como incontinência urinária e fecal. Quanto à função sexual, promove aumento da circulação de sangue na região genital, o que aumenta a lubrificação vaginal, melhora a excitação sexual e a intensidade do orgasmo (uma vez que nessa fase ocorre contração involuntária desses mesmos músculos, que estão ligados ao clitóris).

*Laíse Veloso é fisioterapeuta pélvica, especialista em Sexualidade Humana e integra a equipe do Projeto Afrodite (Ambulatório de Sexualidade da Unifesp).

Voltar para o blog

Deixe um comentário

Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.