Uma mulher branca de cabelos compridos está sorrindo e chacoalhando uma garrafa de champagne aberta. Seu rosto está coberto por respingos da bebida.

Squirting: ejaculação feminina ou xixi durante o orgasmo?

Ginecologista sexóloga explica origem do “líquido que encharca a cama” no ápice do prazer

Por Carolina Ambrogini

A sexualidade das pessoas com vagina é tão complexa quanto fascinante. A chamada ejaculação feminina* ou squirting (“esguichar”, em inglês) já foi amplamente explorada pela pornografia e está entre os fenômenos estudados há anos por cientistas. Afinal, que líquido abundante é esse emitido durante o orgasmo? Significa mais prazer? Por que não ocorre com todas as pessoas ou em todas as relações sexuais/masturbações?

Um dos maiores mitos ao redor da ejaculação feminina é o de que esse esguicho na hora do sexo seria simplesmente xixi. Algumas pessoas que ejaculam ficam constrangidas por desconhecimento sobre a própria fisiologia ou por receio de que a parceria pense que é urina. Embora o líquido costume molhar bem os lençóis, ele é mais claro e sem odor. Também não deve ser confundido com lubrificação vaginal “excessiva”, já que esta sai aos poucos durante o processo de excitação.

O squirting é a ejeção de um líquido em jato pela uretra de pessoas com vagina durante o orgasmo. Algumas relatam que a ejaculação acontece ocasionalmente, em orgasmos mais intensos e, mais raramente, em todas as relações sexuais ou masturbações. Faltam dados estatísticos exatos sobre qual a porcentagem de pessoas com vagina que conseguem ejacular. Sabemos que algumas têm mais tendência do que outras...

Isto acontece porque a ejaculação feminina é um líquido presente em pequenas glândulas, remanescentes do período embrionário e semelhantes à próstata masculina, que ficaram próximas à uretra. Algumas pessoas têm mais glândulas, outras têm menos e muitas não têm resquício glandular nenhum - portanto, nunca irão ejacular (ainda que façam cursos etc).

Esta comprovação só foi possível através da análise desse tipo de ejaculação. Nela foi encontrada uma enzima que se chama PSA, apenas presente no líquido prostático. Além disto, com a evolução dos exames de imagem, é possível identificar a presença destas pequenas glândulas na parede muscular da uretra de algumas pessoas com vagina que ejaculam.

Elas não têm capacidade de ter orgasmos “melhores”. O que acontece é que algumas só conseguem ejacular quando os orgasmos são mais intensos porque há maior contração da musculatura pélvica sobre a uretra, fazendo com que as glândulas sejam comprimidas e expulsem o líquido em jato. Daí a impressão de que a ejaculação foi o grande barato... mas, na verdade, ela só foi consequência de um orgasmo potente e muito gostoso.

Resumindo: ejacular não faz do sexo uma experiência melhor ou pior; algumas pessoas com vagina têm maior propensão ao squirting; não é algo para se envergonhar, muito menos para se gabar.

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