Um homem negro e sem camisa está sentado, com o tronco suado e expressão pensativa.

Ejaculação retardada : por que ele demora ou não goza no sexo?

Descubra as causas e os tratamentos para essa disfunção sexual masculina pouco conhecida

Por Rafael Zeni

Quando se trata de disfunções sexuais masculinas*, a ejaculação precoce ou rápida é muito mais conhecida e frequente do que a ejaculação retardada. Esta se caracteriza pela demora ou ausência da ejaculação no sexo - mesmo que o desejo, a excitação e a ereção existam. Estima-se que cerca de 1% a 4% das pessoas com pênis sofram com esse transtorno do orgasmo nas relações sexuais, algo que não costuma acontecer durante a masturbação. Essa incidência pode estar subestimada, considerando que “segurar o gozo” é socialmente visto como sinal de masculinidade e experiência sexual.

Diagnóstico e tipos de ejaculação retardada

Profissionais de urologia e terapia sexual são capazes de investigar o quadro clínico. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-5), referência para tratamento de disfunções sexuais, a ejaculação retardada pode ser diagnosticada quando:

  • Existe a presença de sofrimento, angústia, frustação e sentimentos ruins associados ao sexo;
  • Demora de mais de 25 minutos para atingir o clímax;
  • O retardo da ejaculação ocorre em 75% das relações sexuais;
  • A ocorrência permanece por um período superior a 6 meses.

Assim como as demais disfunções sexuais, a ejaculação retardada pode ser dividida em:

  • Crônica: a dificuldade para atingir o orgasmo e a ejaculação é presente desde o início da vida sexual. Representa 1% dos casos;
  • Adquirida: a dificuldade é experimentada a partir de um momento específico da vida.
  • Situacional: acontece apenas em algumas circunstâncias, com algumas parcerias, ou em determinados lugares ou situações. Normalmente a causa é psicológica.

Causas

A ejaculação retardada pode ter causas físicas e/ou psicológicas. No primeiro caso, a realização de exames médicos ajuda a descartar hipóteses como doenças crônicas (por exemplo, diabetes), alterações hormonais (ligadas à testosterona, principalmente), neurológicas ou metabólicas. Cirurgias pélvicas, uso de certas medicações (como alguns antidepressivos) e consumo excessivo de álcool são outros exemplos de causas orgânicas que devem ser cuidadosamente avaliadas.

Além disso, é preciso levar em conta que geralmente as disfunções sexuais estão muito associadas à cultura, moral, tabu, falta de informação, iniciação sexual, traumas e abusos, opressão e repressão.... As causas psicológicas sempre têm raízes no contexto coletivo e individual. Por esta razão, o acompanhamento com profissional de psicologia/sexualidade é de extrema importância. Quanto à ejaculação retardada, é comum observar:

  • Ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental;
  • Problemas de relacionamento associados ao estresse, preocupações ou má comunicação entre a parceria;
  • O desenvolvimento de técnicas muito específicas de masturbação que acaba condicionando a uma única forma de estímulo para se atingir ao orgasmo.
  • Constante consumo da 
  • Presença de fetiches e fantasias não realizadas durante o ato sexual;
  • Histórico de vida e crenças (morais, culturais, religiosas etc) que dificultam se permitir o prazer sexual.

A masturbação influencia?

Em alguns casos, sim, a masturbação pode levar à ejaculação retardada. A pessoa com pênis cria um verdadeiro “hábito”, com cenário ou práticas específicas para gozar, e quando algo acontece diferente daquilo que está acostumada... surgem as dificuldades. Por exemplo, uma pressão exagerada da mão sobre o pênis na masturbação, muito superior àquela experimentada na penetração vaginal ou anal. Ou seja, condiciona o orgasmo e a ejaculação a um determinado contexto, movimento etc.

Apesar de socialmente parecer uma vantagem “demorar para gozar”, não se trata de uma performance sexual prazerosa para a pessoa com pênis. Essa disfunção sexual causa constrangimento e afeta muito as relações. Em meu consultório de psicologia, ouço de algumas parcerias de quem tem ejaculação retardada: “Não sinto que o(a) atraio mais, ele(a) não tem mais tesão em mim”.

Queixam-se também de dor durante o sexo, em razão do tempo de penetração e da perda de lubrificação. Outras possíveis consequências da ejaculação retardada não tratada são diminuição da própria libido e do prazer sexual; infertilidade masculina e dificuldade para engravidar; estresse e ansiedade;  crônica (incapacidade de chegar ao orgasmo). Mas a boa notícia é que existem recursos para superar a disfunção sexual. 

Tratamento

O tratamento multidisciplinar da ejaculação retardada, com abordagem médica e psicológica, costuma trazer resultados mais eficientes. O ideal é que a pessoa com a queixa passe por uma consulta com urologista para avaliar a existência de causas orgânicas e a necessidade de medicações. Outras recomendações sobre estilo de vida: adotar uma alimentação saudável, ter qualidade de sono, praticar exercícios físicos com regularidade e evitar o consumo de drogas (incluindo álcool e cigarro). 

Na terapia sexual, o acompanhamento individual da pessoa com pênis tem como objetivo aprofundar os elementos que podem estar na base da ejaculação retardada: baixa autoestima e autoconfiança, sentimentos de inferioridade, traumas e abusos sexuais, culpa e valores morais rígidos, heteronormatividade e masculinidade tóxica, problemas no relacionamento, LGBTfobia expressa ou internalizada, entre outros. 

Sexo deve ser algo prazeroso. Se gera angústia e sofrimento, procure ajuda!

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