Um homem branco de barba está deitado na cama com uma das mãos sobre a cabeça.

Ejaculação precoce: entenda o que é e como controlar

Comum entre homens de todas as idades, a disfunção sexual ligada ao orgasmo costuma ter causas psicológicas como ansiedade e depressão

Por Eduardo Yabusaki

Apesar do tabu, a ejaculação precoce é uma disfunção sexual bastante comum em pessoas com pênis de diferentes faixas etárias: estudos internacionais* apontam que 20% a 30% dos homens com idades entre 18 e 70 anos sofrem do problema. No Brasil, a principal pesquisa** realizada encontrou uma incidência semelhante (25,8%). O padrão de comportamento conhecido popularmente como “gozar rápido” dificulta tanto a vida sexual da própria pessoa como de sua parceria, pois muitas vezes a duração dos estímulos eróticos não é suficiente para o prazer e a satisfação do casal. 

Quão rápido é rápido demais? 

A ejaculação precoce não é (mais) diagnosticada de acordo com a quantidade de minutos que se leva para alcançar o orgasmo, mas pela impossibilidade de permanecer no processo de estimulação sexual pelo tempo que desejar - ou que seja suficiente para atender aos anseios e expectativas da parceria. Portanto, quando a pessoa fala que gozou rápido, na realidade ela não conseguiu controlar a sua excitação e, assim, retardar o orgasmo [nota da editora: entenda como funciona o Ciclo de Resposta Sexual Humana]. 

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-5), produzido pela Associação Americana de Psiquiatria e referência para tratamento de disfunções sexuais, a ejaculação precoce só pode ser diagnosticada quando ocorre com frequência há pelo menos seis meses e causa sofrimento acentuado. No entanto, mais do que simplesmente seguir esses critérios, acredito que profissionais da sexologia devem levar em consideração caso a caso. 

Qual a condição emocional e psicológica da pessoa para lidar com a questão, ainda que tenham ocorrido poucos episódios de ejaculação precoce? Se ela entrou em um processo de angústia, ansiedade, estresse e desespero, há que se intervir de forma terapêutica imediatamente para não agravar ainda mais o quadro [nota da editora: descubra como é uma sessão de terapia sexual]. Além disso, é preciso avaliar de que forma esses episódios interferiram no relacionamento com a parceria. Qual a compreensão dessa pessoa a respeito da ejaculação precoce e a qualidade da comunicação desse casal?

Causas da ejaculação precoce 

O desenvolvimento sexual depende das experiências e dos aprendizados que temos ao longo da vida. Se eles não forem predominantemente favoráveis, positivos e prazerosos... podem culminar em diversos tipos de disfunções sexuais. Os principais responsáveis pela ejaculação precoce não são fatores orgânicos (doenças crônicas, deficiência hormonal, uso de medicamentos etc.), mas psicológicos. Transtornos de humor como ansiedade e depressão, por exemplo, impactam a vivência da sexualidade e a capacidade de adiar o orgasmo. 

Já adolescentes e jovens costumam gozar rápido pela inexperiência sexual, seja por imaturidade sobre o próprio processo de excitação ou nervosismo pelo desempenho nas primeiras transas. No outro extremo, pessoas idosas podem se ver diante do mesmo problema, mas em decorrência natural do envelhecimento: geralmente há necessidade de estímulos eróticos mais intensos para obter uma ereção, o que pode provocar uma excitação rápida e ejaculação descontrolada.

Como tratar

É comum o consumo de bebidas alcóolicas e outras drogas lícitas ou ilícitas na tentativa de adiar a ejaculação, mas ambas produzem efeitos colaterais tanto para o organismo quanto para a relação sexual. Vale lembrar, por exemplo, que o álcool atua no sistema nervoso central e provoca efeito anestésico global – prejudicando outras capacidades físicas e cognitivas. O uso de pomadas anestésicas no pênis para reduzir a sensibilidade local pode beneficiar uma pessoa, enquanto atrapalha a sua parceria, que também terá o genital anestesiado...

Ou seja, essas alternativas são paliativas. Elas não vão à raiz do problema para curá-lo. A melhor forma de prevenir ou evitar a ejaculação precoce é o autoconhecimento por meio de psicoterapia especializada (para lidar com medos, culpas, expectativas etc.) e exercícios direcionados. Você deve ampliar sua percepção sensorial, assim como o seu repertório sexual, explorar e diversificar os estímulos excitatórios. Com concentração, relaxamento e treino, é possível aumentar a tolerância para permanecer mais tempo na penetração e na atividade sexual.

Uma técnica muito conhecida é o “Stop-Start” (Pare-Reinicie), que pode ser praticada na masturbação solitária ou com parceria. Ela consiste em parar o estímulo erótico quando se atinge um grau de excitação elevado. Ao perceber que está prestes a gozar, deve-se parar tudo até diminuir a excitação e, em seguida, reiniciar. Este processo dever ser repetido quatro vezes para só depois permitir o orgasmo. A tendência é que, com o passar do tempo, você amplie sua percepção e tolerância aos estímulos físicos.

Todas as disfunções sexuais têm tratamento e existem profissionais especializados em sexualidade para ajudar você a superar dificuldades íntimas – com naturalidade e sem julgamentos. Por mais constrangedor que pareça, não sofra isoladamente. Conte com a nossa experiência para se libertar de medos, preconceitos, receios ou inseguranças sexuais. Você merece viver plenamente sua sexualidade e o seu relacionamento!

*DSM-5 – Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª ed. – Porto Alegre: Artmed, 2014.

**Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, Abdo C. – São Paulo – Editora Bragantini, 2004.

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