Uma mulher e um homem brancos estão prestes a se beijar. Ela envolve as mãos ao redor do pescoço dele.

É difícil tomar a iniciativa sexual?

Entenda por que algumas pessoas têm vergonha de manifestar a vontade de transar mesmo em relacionamentos estáveis

Por Eduardo Yabusaki

No início dos relacionamentos, o  desejo sexual tende a ser mútuo e frequente. Mas, quando a paixão arrefece e a parceria amorosa não se mostra tão disponível para o sexo, muitas pessoas se sentem profundamente rejeitadas. Outras têm dificuldade de manifestar a vontade de transar e se perguntam qual a melhor forma de tomar a iniciativa. Nas relações heterossexuais, também predomina uma visão machista: mulheres que demonstram interesse são tidas como “vulgares”, assim como homens que não procuram sexo têm sua masculinidade questionada.

Embora hoje exista mais abertura social para a vivência da sexualidade, se expor  e revelar algo tão íntimo quanto o desejo sexual nem sempre é tranquilo – mesmo em uma relação estável. A maneira como cada pessoa demonstra afeto e interesse erótico varia de acordo com características individuais (como personalidade), além de histórico de vida (contexto familiar, educação, religião etc.) e ambiente em que está inserida (por exemplo, o status e a dinâmica do relacionamento).

Pessoas mais inibidas, envergonhadas ou retraídas naturalmente têm mais dificuldade de tomar a iniciativa para o sexo. Mas até aquelas desinibidas, expansivas e espontâneas podem ficar desconfortáveis nesse sentido – afinal, os temas que envolvem a vida sexual ainda são tabus. Não existe um “jeito certo” ou infalível de levar alguém para a cama. É preciso considerar o momento, a intimidade do casal e  as preferências da outra pessoa.  

Talvez uma fala direta como “Vamos?” seja suficiente em alguns casos. Em geral, demonstrações mais sedutoras (elogios picantes, beijo de língua, massagem relaxante ou sensual, convidar para um banho etc.) funcionam melhor e provocam trocas mais prazerosas. [Nota da editora: a excitação das pessoas com vagina tende a demorar mais tempo por razões fisiológicas, psicológicas e culturais. Não à toa, elas precisam de bons estímulos e sem pressa para despertar o tesão. Leia mais sobre o desejo responsivo].

Ainda assim é possível que a parceria não esteja interessada, disponível, receptiva e responsiva. A rejeição pode acontecer simplesmente por ela não estar na mesma vibe (energia). O “não” é quase sempre imprevisível – a não ser quando o sexo já significa dor, desprazer, ansiedade, frustação. No dia a dia, os desencontros sexuais dos casais acontecem por c , sono, estresse, falta de tempo, depressão... Apesar de a resposta negativa causar uma decepção inevitável em quem manifesta o desejo, o ideal é não “tomar para si”.

Tente receber o “não” da parceria como um descompasso ou inadequação de interesses sexuais. Por exemplo: há quem goste de transar pela manhã, enquanto outras pessoas preferem antes de dormir. Não significa necessariamente que ele (a) não quer fazer sexo com você, apenas que precisam conversar e chegar em um meio termo. Se a questão é sobre como a abordagem sexual acontece, por que não conversar sobre o assunto? Ele (a) está indo rápido ou devagar demais nas carícias? Falta carinho ou “pegada”?

Diante da rejeição, há quem se esforce para ter comportamento mais sedutores, adequados e convincentes para conquista sexual da parceria. Ou apenas se feche, deixando de tomar a iniciativa por se sentir um fracasso ou até questionando o desejo da outra pessoa. É importante, aliás, que esse movimento para a concretização do sexo não dependa de apenas uma das partes. Manifestar a vontade de transar é manifestar atração e sentimentos por alguém. Portanto, pode ser sexualmente determinante para a interação e aproximação do casal.

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