Kit seis dilatadores vaginais, em cores e tamanho diferentes, da marca Absoloo.

Dilatadores vaginais: o que são e para que servem?

Fisioterapeuta pélvica especialista em sexualidade explica como aumentar o canal vaginal e torná-lo mais flexível para penetração sem dor

Por Laíse Veloso

Profissionais de fisioterapia pélvica que atendem pacientes com disfunções sexuais costumam ter bastante intimidade com dilatadores vaginais. Eles são ferramentas de trabalho no tratamento de questões como vaginismo, dor na penetração, vulvodínea, atrofia vaginal na menopausa, recuperação de cirurgias genitais (por exemplo, adequação de gênero em mulheres trans), entre outras.

Embora se pareçam com próteses penianas e até vibradores, esses dispositivos penetradores não têm finalidade erótica – inclusive porque quem precisa deles associa penetração a desconforto, não a orgasmos. Dilatadores vaginais ajudam a condicionar os músculos da vagina e do períneo, proporcionando mais saúde sexual para mulheres cisgêneros, homens transgêneros e demais pessoas com vagina.

O que são?

Dilatadores vaginais são dispositivos penetradores que promovem gradualmente o ganho de flexibilidade e alongamento do canal vaginal.

Geralmente eles são comercializados em kits de 5 a 8 dilatadores com tamanhos variados. De acordo com a evolução da pessoa no tratamento, recorremos aos mais longos e calibrosos. Por exemplo: o dilatador nível 1 de um conjunto pode ter 6cm de comprimento e 1cm de diâmetro; enquanto o último alcança 15cm de comprimento e 3,5cm de diâmetro.

Existem diferentes marcas que fabricam dilatadores vaginais em materiais que vão do plástico ao silicone ultra macio. Todas cumprem seu objetivo, desde que a pessoa aprenda a se manter relaxada durante o uso e pratique de forma sistemática. Ou seja, o sucesso do tratamento tem mais a ver com dedicação e estado de relaxamento global do que com a composição do dilatador vaginal.

Para que servem?

Os dilatadores são utilizados para estimular o relaxamento da musculatura da vagina e do períneo, permitindo a introdução do pênis (ou acessório erótico, como vibradores) no canal vaginal, assim como a realização de exame ginecológico mais invasivo (ultrassom transvaginal, por exemplo) e até mesmo o uso de absorvente interno ou coletor menstrual.

Fisioterapeutas pélvicos recorrem com frequência aos dilatadores vaginais para o tratamento de vaginismo e dor no sexo. Também são indicados nos casos de neovagina (cirurgia de construção do canal vaginal quando há malformação) e após procedimento cirúrgico de adequação de gênero (quando se constrói o canal em mulheres transgêneros).

Como usar?

Em primeiro lugar, é importante que os exercícios com dilatadores vaginais sejam realizados em um ambiente privativo – livre de distrações e inibições. A segunda recomendação é respirar lenta e profundamente para entrar em um estado de relaxamento do corpo e da mente. No consultório de fisioterapia pélvica, conduzimos a pessoa por meio de algumas técnicas respiratórias.

Só então deve-se escolher o dilatador vaginal de diâmetro adequado, lubrificá-lo com gel ou óleo e posicioná-lo na abertura da vagina. Comece com os dilatadores menores para se sentir mais confortável e não se preocupe caso as primeiras tentativas de introdução sejam difíceis ou malsucedidas. 

A ideia é que o dispositivo deslize para o interior do canal vaginal lentamente – quanto mais lubrificado, mas fácil. Não “brigue” com o seu corpo forçando a penetração a qualquer custo. Quando o dilatador estiver dentro de você, simplesmente relaxe e o perceba. Se possível, tente movimentá-lo com uma das mãos, realizando rotações e “vai e vem”.

Conforme você estiver confortável, pode avançar para o dilatador seguinte (com maior calibre) e repetir todo esse processo. Mas não tenha pressa para evoluir no tratamento porque o corpo leva algum tempo para se adaptar a um novo estímulo. Lembre-se sempre de manter o relaxamento, respeitar seus limites e sentimentos.

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