Duas mulheres estão sentadas, uma de costas para a outra. A mulher da esquerda é morena, de cabelos curtos cacheados. À direita está a mulher oriental, de cabelo preto e liso na altura dos ombros.

Descompasso íntimo: existe frequência sexual ideal?

Terapeuta de casal especialista em sexualidade sugere o que avaliar (e fazer) quando a parceria amorosa tem um ritmo diferente do seu

Por Eduardo Yabusaki

Observo cada vez mais em meu consultório como o cotidiano estressante vivido por cada pessoa gera conflitos conjugais e interfere tanto na própria sexualidade quanto na vida sexual do casal. Não raro impacta negativamente no desejo e na frequência sexual, no ritmo que se estabelece dentro do relacionamento. Mas, afinal, existe uma média ideal de relações sexuais? É normal ficar dias, semanas ou meses sem fazer sexo com a parceria amorosa?

Essa tal “normalidade” conjugal não deve ser medida pela quantidade de vezes que o casal transa, mas pela satisfação sexual que as pessoas envolvidas sentem. Você pode transar todos os dias e não ter prazer. Ou seja, no fim das contas, tem mais a ver com a qualidade. Antes de pensar em qualquer transtorno ou disfunção sexual (como baixa libido), temos que levar em consideração uma série de fatores.

O primeiro deles é o tempo de relacionamento. No início, graças à paixão e à novidade, tudo flui mais intensa e facilmente. Com o passar dos anos, é natural que a frequência sexual fique mais espaçada – embora não ausente. Em segundo lugar, devemos avaliar o ritmo de vida de cada pessoa e o quanto se dedicam para a interação entre o par. Por exemplo, só há tempo para o trabalho ou para os filhos? É fundamental que o casal tenha quantidade e qualidade de tempo. Assim existe maior chance de proximidade e intimidade sexual.

O terceiro ponto passa por compreender que, assim como as pessoas, o relacionamento tem fases boas e ruins. Isso, sem dúvida, pode dificultar ou mesmo impedir uma boa convivência. Às vezes ficamos tão atribulados em nosso dia a dia que o próprio desejo sexual acaba desfavorecido. Se isso for um incômodo ou frustração, considere tomar a iniciativa para o sexo independente do tesão: é possível ter excitação e prazer mesmo que o desejo espontâneo não aconteça.

Além disso, o casal ainda pode ter divergências corriqueiras que podem levar a inadequações sexuais - diminuição da frequência ou mesmo ausência de sexo. Por exemplo, quanto às preferências sexuais: uma pessoa pode gostar de sexo à noite e a outra, pela manhã; uma pessoa fica excitada em determinada posição sexual, que causa desconforto a outra; uma pessoa curte uma fantasia sexual (como BDSM) e a outra, não; uma pessoa só alcança o orgasmo com penetração, mas a outra detesta a prática.   

Mesmo diante de tantas variáveis, existem pessoas e casais que priorizam a quantidade ou querem quantidade e qualidade - como ter relações sexuais intensas e prazerosas diariamente. Não respondemos sexualmente como máquinas, então se este é o desejo das duas pessoas no relacionamento... elas terão que se dedicar e provocar mutuamente, explorar sua sensualidade e buscar recursos de erotização (como ir a motéis, comprar brinquedos eróticos etc) de forma constante para viver intensamente a atividade sexual.

Não há uma regra perfeita que funcione igualmente bem para todas as pessoas e casais. Deve-se levar em consideração todo contexto pessoal e conjugal para que haja uma maior sintonia e sincronia sexual. Portanto cuide do seu relacionamento como ele é: único e exclusivo, com características próprias e especiais. Assim será possível desfrutar de uma vida sexual saudável, positiva, prazerosa e satisfatória.

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