Um homem oriental de óculos e um homem ruivo estão sentados no chão, de mãos dadas, prestes a se beijar.

Demissexuais: atração depende de conexão emocional profunda

Outra orientação sexual? Saiba mais sobre as pessoas que só se relacionam (e transam) com sentimento

Por Theo Alarcon

Quanto mais a sociedade abre espaço para a vivência (e o estudo) da sexualidade humana, melhor compreendemos a sua complexidade. Surgem novas definições na tentativa de validar o que um grupo de pessoas sente ou como se comporta no campo afetivo-sexual. Por exemplo, você já ouviu falar em demissexualidade? Chegou aqui pesquisando “o que significa ser demi”? As primeiras menções ao termo na internet remontam a 2006, mas ele bombou mesmo quando Michaela Kennedy-Cuomo, filha do ex-governador de Nova York, se assumiu demissexual aos 23 anos.

A demissexualidade integra a área cinza do espectro assexual (gray ace), é uma espécie de subcategoria dentro da assexualidade. Como escrevi neste outro texto do blog, pessoas assexuais têm pouco ou nenhum interesse por sexo, podendo ou não estar em relações românticas. Nesse sentido, demissexuais necessitam de uma conexão intelectual, psicológica ou emocional para que haja atração sexual. 

Isso significa que, ao conhecer alguém, a aparência não é determinante para despertar o interesse ou desejo. Para algumas pessoas demi, é preciso que haja um sentimento de segurança. Já outras só terão vontade de transar depois de estabelecerem um elo romântico ou intelectual – seja a partir de uma conversa ou de uma amizade. Portanto a natureza da conexão pode variar, mas para demissexuais a atração erótica depende de um envolvimento mais profundo (ou simplesmente não vai acontecer).

Ao contrário do que se possa imaginar, a demissexualidade não é uma orientação sexual ou uma identidade de gênero. Uma pessoa que se considera demissexual pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou pansexual (atração amorosa e sexual sem distinção de gênero, o que inclui pessoas não-binárias). Assim como pode ser cis ou transgênero. Todas essas denominações que compõem a nossa sexualidade são relevantes para compreendermos que não existe apenas uma forma de vivenciá-la.

Também é importante ressaltar que as pessoas dentro do espectro da assexualidade não possuem, necessariamente, disfunções sexuais. Não há sofrimento do tipo: “Quero me relacionar, mas não consigo!”. O que geralmente ocorre é uma cobrança social – familiares e amizades questionando o que há de errado, sugerindo pretendentes etc. O problema não está na ausência do sexo, mas sim na pressão para que ele aconteça. Demissexuais podem ter uma vida sexual ativa e sentir prazer. A diferença está em como a atração e o desejo por outra pessoa são despertados.

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