Em duas cadeiras posicionadas frente à frente estão sentados um homem (que veste calça e sapato social) e uma mulher (de saia, meia calça e salto alto).

Conto erótico: A última sessão

Uma história sobre um paciente e uma terapeuta que não conseguem mais reprimir o tesão

Por Terapeuta anarquista*

Desço as escadas para recebê-lo, como de costume. Ele está sentado no sofá do canto, na sala de espera. Percebo que me encara de forma fixa desde que apareço. Sorrio. Há uma expressão deliciosamente sexy e confiante nele. Sua libido espalha-se pela sala. Disfarço meu suspiro, enquanto penso que seria uma sessão insuportavelmente erotizada e eu teria que me controlar...

Ele se levanta e vem me cumprimentar com um abraço apertado e suas mãos na minha cintura, como se por acaso. Sinto uma força diferente e um beijo desleixado para evitar que os demais percebessem. Peço que suba na minha frente, estou de vestido e evito que ele encare minhas coxas nos degraus abaixo - não quero provocá-lo. Assim também posso me recompor e respirar fundo para desacelerar meu coração que já tinha sentido seu cheiro e seu corpo.

Ao entrar na sala, ele se esparrama no sofá com os braços levantados. Encaro aquela posição exibicionista como um convite. Confesso que um ótimo convite para se olhar. Imagino aqueles braços me buscando. Desvio o olhar para a janela que fica ao lado dele. Qualquer movimento e poderíamos ser descobertos. A ideia foge da minha cabeça e me sento em frente a ele, perguntando sobre a sua semana.

Enquanto ele fala, pouco consigo prestar atenção e me pego encarando aquele olhar fixado no meu, penetrante. Pergunto se ele quer água, me levanto e fico de costas para ele - não consigo suportar aquele olhar. Sinto que estou quente e transpirando. Meu cheiro de tesão no ar, ele também deve estar sentindo. Aceita minha oferta de água, mas não fica sentado, vem buscar ao meu lado. Seu corpo está bem de perto, projetado nas minhas pernas.

Desvio e me sento na poltrona enquanto ele bebe a água, depois retornando para o seu lugar. Então retoma a conversa dizendo que eu parecia diferente naquele dia. Por um segundo me sinto nua diante dele. Devolvo a pergunta com um “Por que?”, morrendo de medo da resposta, mas curiosa sobre o que ele havia captado das minhas sensações. Estava difícil suportar o meu desejo, que dirá o dele. 

Ele não hesita em responder que eu estava transparecendo algo de liberdade, com o vestido solto e curto, que não era habitual. Ainda mais descalça, uma mania minha até nas sessões com pacientes. Culpo o calor e a minha desobediência às normas sociais para insistir em andar descalça. Rimos juntos e digo que são essas coisas que me fazem cada dia mais uma terapeuta anarquista. Ele responde que é interessante me ver assim... “mais solta”.

E continua dizendo que estava esperando para me ver, afinal havíamos combinado de que seria uma sessão corporal do começo ao fim para trabalhar diretamente no corpo as tensões emocionais. Ele estava curioso com a novidade. Fico congelada por um momento, fitando aquele olhar provocador insuportável. Penso que a alternativa de colocá-lo na maca me desviaria de todo aquele tesão. 

Peço que ele tire a camiseta, o chinelo e se deite de bruços. Entro no banheiro para lavar minhas mãos antes de iniciar o trabalho e me encaro no espelho. Aproveito para molhar meu rosto e minha nuca, tentar esfriar minha pele. Retorno para a sala, passo o óleo de massagem em minhas mãos, levando-as próximas ao rosto dele para que sinta se aquele cheiro o incomoda. Ele diz que não. 

Começo por uma massagem pelos seus pés, enquanto conversamos dos assuntos que ele aborda. Mexo em suas pernas e percebo que seu corpo também está quente, não muito tenso. Foco em seu contorno, consistência e energia. Ele nota que minhas mãos estão quentes, digo que elas estão irradiando a sua energia e ele gargalha.

Passo para as suas costas, deslizando minhas mãos pela lateral e me posicionando de pé na frente da sua cabeça, que está de lado. Meu colo está muito próximo dele, impossível não sentir o que estou exalando. Então me dedico a sua coluna e seus ombros. Peço que fique de olhos fechados, mas percebo que ele me desobedece de tempos em tempos. Quando se vira de barriga para cima, me deparo com uma ereção.

Encaro seu pau sob a roupa e tento imaginar como é. Ele finge que não vê minha reação e me pede para tocar seus ombros, que estão tensos. Volto meu olhar para seu rosto para fazer o que pediu. Ele não tira seus olhos dos meus. Escolho um movimento no abdômen para mexer com sua respiração – e fugir daquele olhar. Estico meus braços sobre ele e me debruço para chegar na sua barriga. Meus seios ficam a um palmo do rosto dele, sinto a sua respiração acelerar e esquentar meu corpo por cima do vestido.

Vou deslizando devagar de volta. Ele sussurra algo que não entendo e então me aproximo do seu rosto: ele diz que não está aguentando mais. Em uma fração de tempo, recuo tentando entender o que aquilo significa, mas logo sua mão me puxa. Nossas bocas se encontram e minha respiração fica ofegante, não consigo interromper sua vontade e não dar vazão ao meu desejo. Um beijo intenso se concretiza. Afasto meu rosto do seu num ímpeto de razão e arrependimento – sou a terapeuta e ele, o paciente! Sei que estou transgredindo o código de ética profissional.

Ele se senta na maca de frente para mim, me prende com as suas pernas e com outro beijo. Minhas mãos deslizam em direção ao seu pau. Desabotoo sua bermuda e encontro sua ereção. Ele coloca uma de suas mãos sobre a minha e começa a movimentá-la para que eu o toque. Perco totalmente a direção daquela sessão. Ele dirige meus movimentos a partir de agora, meu corpo está entregue para que ele sinta prazer.

Aquele homem me puxa para cima da maca e coloco meus joelhos ao lado da sua cintura – sem tirar a mão do seu pau. As mãos dele estão por baixo do meu vestido, descobrindo a minha bunda e puxando minha pelve contra o seu pau. Tudo acontece num ritmo encadeado, como se nós tivéssemos ensaiado esse encontro sincronizado e mudo. Nossas respirações, vozes e gemidos não poderiam revelar o que acontecia naquela sala.

Eu já me sentia molhada e excitada, então ajeito seu pau e o enfio em minha buceta quente, projetando meu corpo sobre o dele. Encaro sua expressão de deleite. De satisfação, de prazer e de gozo por entrar no lugar mais secreto e misterioso do meu corpo. Suas mãos procuram meus seios conforme me movimento com ele dentro de mim. Não consigo aguentar de tesão, minhas pernas tremem e meu corpo pede que ele me coloque contra a parede para me penetrar mais fundo, mais forte.

Ele entende e me segura contra seu corpo enquanto me fode. Gozo mais de uma vez no seu pau. Meus gemidos ecoam para dentro do meu corpo, e extravasam como múltiplas contrações e descargas. Estou tremendo inteira e amolecida. Ele goza também e escorregamos juntos até o chão. Me levanto do seu corpo e fico ao seu lado, os dois de costas para a parede. Mudos e satisfeitos. O cheiro de sexo está impregnado por toda a sala.

Sussurro no seu ouvido que essa foi nossa última sessão. A partir de hoje, nunca mais ele entraria naquela sala. Ele ri e me pergunta: “Para onde iremos então?”.

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