Uma mulher e um homem estão deitados na cama com um menino pequeno entre eles. O casal sorri entre si, enquanto a criança olha para o homem.

Como se reconectar sexualmente depois dos filhos?

Cansaço, falta de tempo e privacidade são empecilhos para casais com crianças pequenas – mas é possível investir na intimidade para transar mais

Por Café com Pimenta

Ter filhos (as) muda toda a nossa vida, inclusive a sexual. É quase impossível manter a frequência sexual com crianças pequenas em casa - elas exigem uma imensa demanda de cuidados do nascimento até a segunda infância. Os reflexos são privação de sono, adaptações, culpa, esgotamento físico e emocional. A pessoa que gestou também precisa lidar com as mudanças que acontecem em seu corpo desde a gravidez. Há, ainda, o gerenciamento da casa e da carreira. Tudo isso mexe com a rotina e as prioridades do casal: o sexo fica em segundo, terceiro, quarto plano... E então os momentos a sós se tornam cada vez mais escassos. Quanto menos sexo fazemos, menos desejamos fazer.

Uma pesquisa com 2 mil mães e pais britânicos apontou que 1 a cada 5 casais não faz mais sexo após ter filhos(as). O mesmo levantamento mostrou também que 56% lutam para conseguir um dia no mês para transar, enquanto 24% não estão satisfeitos(as) com a vida sexual. A perda da liberdade e da privacidade é algo que mexe bastante com a dinâmica do casal, já que não se pode fazer sexo onde e quando quer. O tempo íntimo fica limitadíssimo ou inexistente, principalmente quando não se tem uma rede de apoio (família, amizades, babá) com a qual contar para investir em atividades de reconexão amorosa e sexual.

- Leia mais: Libido feminina – entenda o que é desejo sexual responsivo

A sexualidade do casal não escapa às mudanças que a chegada de filhos impõe, portanto é importante que haja abertura para conversar sobre o tema e fazer os devidos ajustes ao longo do tempo. Aumentar o repertório erótico pode ser a chave tanto para encontrar motivação quanto equilíbrio. Por exemplo, superar o tradicional conceito de que sexo com penetração é a única fonte de prazer. No puerpério, aliás, é natural que a pessoa com vagina não esteja disponível para isso – ou mesmo para o sexo performático “ensinado” pela pornografia.

Autoconhecimento sexual, paciência e intimidade são fundamentais para a retomada após esse período delicado, de inúmeras transformações. Muitos homens cis se veem deixados de lado e privados do carinho da parceira, que despende mais atenção para o (a) bebê. Estar ativo nos cuidados com a(s) criança(s), casa e finanças pode ser uma forma de despertar/manter a admiração dentro da relação amorosa – algo que está estritamente ligado ao desejo. Uma pessoa que se sente mais segura e menos cansada tende a ir dando espaço para seu papel sexual dentro dessa nova realidade.

Como tirar o casamento com filhos(as) da rotina?

Nesses casos, menos é mais. Atitudes simples no dia a dia podem ajudar a retomar ou fortalecer aos poucos a intimidade sexual do casal. Pode ser um banho juntes, durante o cochilo da tarde da criança ou enquanto alguém da rede de apoio cuida dela. Aproveitem para estimular a troca de olhares, o carinho e o toque enquanto estiverem debaixo do chuveiro – o sexo em si não é o foco aqui. Massagens com óleos naturais ou cosméticos sensuais também são muito bem-vindas para despertar sensações prazerosas e, como consequência, o tesão.

Como o tempo está (bem) mais escasso, melhor considerar as famosas “rapidinhas” do que esperar uma brecha de duas horas livres. Isso não significa necessariamente perda de qualidade da relação sexual. Quando o casal se estimula ao longo do dia com gestos e palavras afetuosas, lembra de dar um bom beijo de língua antes de dormir... o corpo costuma responder naturalmente ao menor dos convites. Vocês também podem recorrer a géis excitantes, além de lubrificantes a base de água para aumentar o conforto durante o sexo.

Finalmente, priorizem a vida sexual de vocês. Não estamos falando (apenas) de penetração e orgasmos múltiplos, mas de uma dinâmica de dar e receber prazer. Invistam muito em provocações/mensagens eróticas, carícias, massagens, beijo de língua e no corpo todo, masturbação recíproca, uso de (como os bullets) que aumentam a excitação e contribuem para um sexo com muito mais qualidade. Agora foquem em qualidade, não em quantidade. Se bem aproveitada, essa fase pode ser um grande divisor de águas para ressignificar a sexualidade de cada pessoa e do casal.

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