Um menino ruivo de camisa branca com botões está sentado e cobrindo o rosto com as duas mãos.

Como lidar com a masturbação infantil? Nada de “tira a mão daí!”

A exploração do próprio corpo faz parte do desenvolvimento das crianças, mas provoca constrangimento em muitas famílias...

Por Ana Luiza Fanganiello

A masturbação é um tabu na sociedade mesmo no contexto da vida adulta, algo difícil de falar abertamente. Masturbação infantil, então, é um tema ainda mais espinhoso porque as pessoas imaginam que se trata de “erotizar a criança” – entre outros absurdos. Só estamos assumindo que ela tem zonas de prazer em seu corpo antes mesmo do nascimento. Bebês de poucos meses já começam a perceber que algumas regiões são mais sensíveis ao toque...

Mas isso não quer dizer que haja qualquer conotação erótica. Aliás, essa é a grande diferença entre masturbação adulta e infantil. Espera-se que até os 11 anos a criança não seja exposta e não tenha desejo sexual. Ou seja, ela tem uma noção de prazer corpóreo, mas não tem a sexualidade desenvolvida. Para ajudá-la nesse processo de forma positiva e saudável, devemos nomear corretamente os genitais desde cedo e permitir que ela explore o próprio corpo – ao invés de reprimir a mãozinha na vulva ou no pênis, por exemplo.

Se a criança estiver se tocando de um jeito que você associe à masturbação, não reaja imediatamente. Respire, observe e modere o tom de voz para perguntar: “Tem algo coçando ou doendo aí?”. Às vezes, pode ser apenas uma coceira ou irritação que merece uma consulta médica. Caso a resposta seja “não”, você pode continuar a conversa: “Se está só gostosinho, você pode fazer isso em privacidade no seu quarto ou no banheiro”.

  • Leia mais: Não faça sexo no mesmo cômodo que as crianças (nem se estiverem dormindo)

Algumas crianças se estimulam de maneira indireta - pulando no braço do sofá, se esfregando em algum bichinho de pelúcia ou travesseiro etc. Também não devemos reprimir com veemência, dizendo que “não pode” porque “é feio e errado”. Se você estiver se sentindo desconfortável, pode distrair a criança ou direcioná-la para outra atividade: “Vamos ali na cozinha preparar um lance?”.

A masturbação infantil só será sinal de que a criança pode estar sofrendo abuso sexual se ela ocorrer com muita frequência (sem que as pessoas cuidadoras consigam distrai-la) e estiver acompanhada de outros comportamentos inadequados para a idade dela – por exemplo, linguagem chula e desenhos erotizados. Nesse caso, é fundamental buscar ajuda profissional com terapeutas especializados em infância e sexualidade.

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