Um médico estende duas as mãos sobre a mesa do consultório – uma com comprimido branco e a outra, com comprimido amarelo. A mão do paciente vai em direção ao amarelo.

PrEP e PEP: entenda como funcionam os remédios contra o HIV

Quem pode usar, como tomar, quanto custa e os efeitos colaterais das medicações que previnem o vírus da AIDS

Por Theo Alarcon

Cerca de 960 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil, segundo estimativa da ONU. Homens que fazem sexo com homens (HSH), principalmente com idade abaixo dos 30 anos, lideram os novos casos de infecção pelo vírus da Aids. Travestis e mulheres transexuais também estão mais vulneráveis, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas qualquer pessoa pode contrair o HIV. Graças aos avanços científicos, existem métodos de prevenção bastante eficazes - como os remédios PrEP e PEP, disponíveis gratuitamente pelo SUS.

Para que serve?

  • PrEP – A Profilaxia Pré-Exposição é uma estratégia preventiva de medicação diária e contínua para a pessoa não vive com o vírus HIV, mas está sujeita à exposição. Ou seja, pretende reforçar a própria proteção para quando essa exposição acontecer.

A PrEP é indicada para quem mantém relação sexual com múltiplas parcerias; está na prostituição ou em uma relação sorodiferente (quando uma pessoa tem HIV e a outra não); faz uso de drogas injetáveis. Ela serve para determinados “estilos de vida e comportamento sexual”.

  • PEP – A Profilaxia Pós-Exposição é uma medida de urgência dirigida a pessoas que acabaram de ser expostas ao vírus HIV – ou possivelmente foram expostas. O tratamento deve se iniciar o quanto antes, nas primeiras 72 horas após o contato com o vírus. Há quem associe com a “pílula do dia seguinte”, embora a PEP deva ser tomada por 28 dias seguidos.

A PEP é recomendada nos casos em que há falha ou não uso do preservativo; violência sexual; acidentes com agulhas ou outros objetos perfurocortantes em que há risco de contaminação (por exemplo, entre profissionais de hospitais e laboratórios clínicos).

Como funciona?

Os medicamentos antirretrovirais podem impedir que o vírus se estabeleça e infecte o organismo. Eles bloqueiam alguns acessos que o HIV usa para se multiplicar através de enzimas e células. O êxito da PrEP (pré-exposição) e da PEP (pós-exposição) dependem da adesão da pessoa aos tratamentos – ou seja, do uso correto dos remédios. Nesse caso, a eficácia dos métodos chega a 99%.

Vale destacar que a PrEP e PEP não protegem contra outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e gonorréia. O uso de preservativo (interno ou externo) deve fazer parte de uma prevenção combinada.

Quanto custa?

A PrEP e a PEP já são oferecidas gratuitamente pelo SUS nas grandes capitais. A iniciativa está sendo expandida para atender a todo país através das Unidades básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), entre outros postos de atendimento em saúde pública.

Travestis e mulheres trans têm prioridade para receber a medicação por pertencerem a uma comunidade marginalizada e carregada de estigma social - que as destina à prostituição e à vulnerabilidade. Homens que fazem sexo com Homens (HSH) também estão nesse grupo prioritário.

É preciso passar por uma avaliação nesses serviços especializados, fazer exames regulares e buscar a medicação nos postos de saúde a cada três meses. A pessoa também pode passar em uma consulta médica particular, receber prescrição para tomar PrEP ou PEP e comprar a medicação nas farmácias - o custo varia entre $150 e $300 por mês de tratamento.

Efeitos colaterais

Tanto a PrEP quanto a PEP são consideradas medicações seguras. Alguns efeitos adversos como vertigem, dores de cabeça e diarreia são os mais relatados pelas pessoas que usam os antirretrovirais. Mas esses sintomas costumam ser transitórios e não são considerados graves.

Qualquer pessoa, independente do gênero ou orientação sexual, pode fazer uso desses “remédios contra o HIV” desde que exista real necessidade. Ou seja, é essencial compreender o seu potencial risco e suas condições de saúde no momento do início do tratamento. Por isso, a prescrição e avaliação médica são indispensáveis.

 

*Foto: Pexels

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