Um DIU de cobre está sobre um fundo de formas geométricas nas cores azul, amarelo e rosa.

Como funciona o DIU, um dos métodos mais eficazes contra gravidez

Ginecologista sexóloga responde as principais dúvidas: É abortivo? Dói para colocar? Pode sair no sexo? Tem risco de engravidar mesmo assim?

Por Teresa Embiruçu

O dispositivo intrauterino (DIU) é uma estrutura pequena e flexível em forma de “T” que funciona como método contraceptivo com ação de longo prazo – em torno de 5 a 10 anos. Reversível, ele pode ser retirado a qualquer momento sem prejudicar a fertilidade. Não à toa, é indicado como opção para pessoas de todas as idades, incluindo quem não têm filhos(as) ou mesmo após o parto (vaginal ou cesárea). Embora o DIU seja seguro e bastante eficaz, a taxa de uso no Brasil não alcança 5%.

Falta informação acessível e confiável, sobram especulações. No meu dia a dia como médica ginecologista, vivo explicando que o DIU não é abortivo, não atrapalha no sexo com penetração, não aumenta o risco de infecções no útero etc. Uma das grandes vantagens desse método é que ele não depende da disciplina da pessoa... Uma pesquisa mostrou que 58% das brasileiras (cisgênero) esquecem de tomar a pílula anticoncepcional ao menos uma vez no mês – aumentando o risco de uma gravidez não planejada.

Tipos de DIU

Existem basicamente dois tipos de DIU: com hormônio (também conhecido como SIU ou sistema intrauterino liberador de hormônio) e sem hormônio.

O mais antigo é o DIU de cobre (não medicado). Mais recentemente surgiu a versão dele com “prata” na tentativa de diminuir os efeitos colaterais. Na prática, não observamos tanta diferença: o mecanismo de ação e a eficácia são iguais ao do DIU apenas com cobre.

O DIU hormonal (medicado) tem apenas um tipo de hormônio, o levonorgestrel (progestagênio). No Brasil, os nomes comerciais são Mirena e Kyleena. Qual a diferença entre eles? O Kyleena tem uma estrutura menor e quase a metade da quantidade hormonal.

Como funciona

O DIU de cobre age como um corpo estranho dentro do útero, causando reações bioquímicas e enzimáticas no endométrio (camada interna do útero) que tornam o ambiente não propício para a gravidez. Ele altera o muco cervical e tem efeito direto na motilidade dos espermatozoides, diminuindo a capacidade de penetrarem e encontrarem com o óvulo. O DIU de cobre não afeta a ovulação, logo o ciclo menstrual com a sua produção hormonal natural permanece a mesma.

O DIU hormonal deixa o muco cervical mais espesso, o que também dificulta a mobilidade do espermatozoide. Além disso, a concentração do levanorgestrel diretamente no endométrio provoca um afinamento desta camada, impossibilitando que ocorra a implantação (gravidez). O DIU hormonal permite que a produção do estrogênio seja mantida, então tem menos chances de alteração da lubrificação vaginal.

Vantagens e desvantagens

Entre as vantagens dos DIUs estão: alta eficácia, não precisam ser lembrados, tem longa duração, são reversíveis, ninguém percebe que você está usando, poucas contraindicações, boa opção para quem não pode usar estrogênio (por crises de enxaqueca ou antecedente de trombose, por exemplo). De qualquer forma, após a colocação do DIU, há um período de adaptação que varia de 6 meses a um ano.

O principal benefício do modelo de cobre é a ausência de hormônio. Esse tipo de DIU não altera os sintomas pré-menstruais, mas pode aumentar o fluxo menstrual e -consequentemente - a cólica. Nesse caso, a combinação de bolsa de água quente, analgésicos e anti-inflamatórios geralmente melhora o desconforto.

O DIU hormonal tem como grandes efeitos positivos a melhora dos quadros de dor pélvica e fluxo menstrual intenso em pessoas com endometriose, adenomiose e miomas uterinos. Por outro lado, ele pode causar qualquer tipo de padrão de sangramento genital, como sangramento pouco e frequente, vários escapes no mês e amenorreia (quando interrompe a menstruação). Há chance de alterar o humor, assim como a oleosidade da pele (acne) e do cabelo.

Pode falhar?

Sim. Nenhum método contraceptivo tem zero taxa de falha. Mas, por ser um método mais eficaz do que a pílula, chama muito mais atenção divulgar que alguém engravidou com DIU do que tomando pílula! O DIU tem uma eficácia que não depende de quem está usando. Quem usa pílula precisa lembrar de comprar, de tomar no horário certo e de carregar a cartela sempre em mãos.

O DIU é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos métodos contraceptivos mais eficazes. Seu uso só tem crescido dentro e fora do Brasil. A taxa de falha do DIU de cobre é em torno de 0,6 a 0,8% e do DIU com levonorgestrel de 0,1 a 0,2%. No entanto, vale dizer que ele não diminui o risco de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Combine o DIU com a camisinha.

Dói para colocar?

O DIU pode ser colocado no consultório médico, embora algumas pessoas prefiram que o procedimento seja realizado com anestesia e internação. A dor é individual e subjetiva, portanto, surgem os mais diversos relatos. O mais comum é sentir uma espécie de cólica. Pode acontecer também um reflexo vasovagal, com sensação de desmaio, náusea, sudorese e queda da pressão arterial no momento da inserção do DIU. Nesses casos, é preciso interromper e considerar o procedimento sob sedação no hospital.

Após a colocação do DIU, as pessoas costumam ter dor tipo cólica e sangramento genital por até uma semana, mas dá para continuar a vida normalmente e até ter relação sexual com penetração.

Risco de expulsão

A taxa de expulsão do DIU é muito baixa e ocorre nos primeiros 3 a 6 meses. Atividade física e frequência ou posição sexual não aumentam esse risco, ok? Se você sentir uma dor inesperada e um sangramento genital (de forma simultânea), aí sim suspeite e procure o consultório médico.

Quanto custa

O DIU de cobre ou cobre com prata custa praticamente metade do valor do DIU hormonal, que atualmente está em torno de R$ 1 mil. Achou caro? Que tal fazer as contas em relação à pílula anticoncepcional, cuja cartela custa cerca de R$ 50 por mês, pelo período de 5 anos...

Você encontra o DIU hormonal apenas na rede privada, mas o DIU de cobre (com duração de até 10 anos) está disponível pelo SUS. Informe-se, tome a decisão que mais se encaixa na sua vida, mas não deixe de se cuidar!

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