Duas mulheres estão deitadas em uma cama de mãos dadas e se olhando. Uma delas é branca de cabelos curtos loiros; a outra é negra de cabelos na altura do queixo.

Como comunicar o que você gosta no sexo

Revelar necessidades e preferências sexuais contribui para a construção da intimidade, além de favorecer o prazer mútuo

Por Théa Murta 

Comunicar as nossas necessidades e preferências para outra pessoa nem sempre é algo fácil e natural, principalmente se o tópico em questão for o prazer sexual. Colocar-se nesse lugar de vulnerabilidade diante da parceria, seja ela casual ou no contexto de um relacionamento, pode ser muito desafiador. Você consegue dizer para a outra pessoa o que gosta e o que não gosta no sexo? Ou até se acostumou a fingir orgasmos? Já revelou o que te excita, como fantasias sexuais e brinquedos eróticos? Abordou quais são os seus limites e dificuldades entre quatro paredes?

A importância da comunicação sexual para a intimidade do casal parece óbvia: quando evitamos falar para a parceria que determinados estímulos sexuais não estão nos agradando... deixamos de ter prazer e nos afastamos da possibilidade de expandir nosso campo erótico. Sexo tem que ser bom para todas as pessoas envolvidas! E não há nada de errado em desejar práticas, carícias ou mesmo abordagens diferentes daquelas que você está recebendo.

*Leia mais: O que acontece com o corpo durante o sexo?

Embora seja comum irmos para o sexo com os repertórios aprendidos em outros relacionamentos ou vivências sexuais, o prazer é subjetivo e individual. O que funciona para uma pessoa pode não ser tão bom para a outra. O primeiro passo para uma boa comunicação é conhecer minimamente as próprias necessidades, vontades, preferências e curiosidades. Afinal, como pedir algo que nem sabemos exatamente o que é?!

O segundo passo é refletir sobre os motivos que prejudicam a sua comunicação sexual. Por exemplo: vergonha; medo de ofender a parceria ou gerar uma briga; falta de abertura para uma conversa íntima; sensação de que deveria estar gostando de determinados estímulos ou práticas sexuais; crença de que o seu prazer é responsabilidade da outra pessoa etc. Nem sempre a dificuldade está relacionada a “não saber falar de sexo”. Ao perceber isso, você consegue sustentar melhor um ambiente confortável dentro do que lhe é importante.

*Leia mais: Terapia sexual: como funciona na prática e quando procurar

A partir de então, é possível seguir alguns caminhos para uma comunicação saudável e alinhada com o seu desejo:

  1. A comunicação não precisa ser apenas verbal. Nos comunicamos com gestos, movimentos corporais, expressões faciais. Você pode aproveitar o momento do próprio sexo para movimentar o seu corpo em direção ao que você deseja no aqui e agora. Seja protagonista do seu prazer. Assuma também os movimentos, coloque a mão da parceria onde você gosta. Mantenha sua mão na da sua parceria e faça os movimentos juntos. Essa prática pode ser bem gostosa e sensual;
  2. Aproveite o momento da estimulação para falar. Você pode pedir para ir mais devagar, mais rápido, dizer que gostaria de experimentar de uma forma diferente (protagonismo, lembra?). Trazer o que você gostaria enquanto está acontecendo, além de aumentar a probabilidade de ser mais leve, demonstra de maneira visível e palpável. Muitas vezes, por mais que a gente explique, não é óbvio para a pessoa que escuta – até porque tendemos a compreender e interpretar as coisas com nossas lentes;
  3. Busque formas divertidas e descontraídas de trazer o assunto à tona. Muitos casais deixam para falar de questões sexuais em momentos mais críticos ou sérios, tornando o assunto mais pesado do que deveria;
  4. Comece pela parte mais fácil e confortável para você. Se for difícil falar tudo, escolha a parte com a qual está mais confiante e que não demande muito de você. Assim você vai desenvolvendo repertório de comunicação e, aos poucos, se aproxima da parte que lhe parece mais complicada;
  5. Priorize suas necessidades. Aponte a fala para você e não para a outra pessoa. Nada de dizer que a parceria está fazendo errado ou que o jeito dela é ruim. Se soar como crítica ou ataque, ela pode se fechar para a conversa ou entrar no modo defesa (aposto que você também se sente assim dependendo de como se expressam, né?). Diga como você prefere e o que é importante para você;
  6. Aproveite momentos do dia a dia que funcionem como uma “deixa” para o papo íntimo. Um bom exemplo é puxar o assunto em alguma cena mais erótica de filmes, séries e novelas que vocês estejam assistindo. Pergunte o que a sua parceria acha, se já experimentou tal coisa ou tem curiosidade... Fale também o que pensa e enriqueça o diálogo, que pode ter mais desdobramentos. 

Não existe uma receita pronta e universal para os casais se comunicarem sexualmente. O que pode e deve existir é disponibilidade mútua para construir uma intimidade saudável. Aquela em que as pessoas não têm medo de se mostrar vulneráveis, de acolher as próprias necessidades e negociá-las com a parceria. “Eu preciso disso para ter prazer. Como é pra você?”.

Foto: Pexels / Monstera

 

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