Um homem branco sem camisa está deitado em uma cama e, sobre ele, está sentada uma mulher branca de lingerie preta. Eles estão de olhos fechados, encostando uma testa na outra.

Coito interrompido: gozar fora é seguro?

O antigo método contra gravidez não tem custos nem efeitos colaterais, mas sua eficácia depende de autocontrole...

Por Teresa Embiruçu

O coito interrompido, também conhecido como “gozar fora”, é uma das formas mais antigas de evitar uma gravidez. Como o próprio nome sugere, consiste na retirada do pênis de dentro da vagina antes de a ejaculação acontecer - evitando assim que um espermatozoide encontre e fecunde o óvulo. Um método contraceptivo que não requer prescrição médica, não tem custos nem efeitos colaterais. Mas infelizmente não é tão simples e vantajoso quanto parece...

Eficácia do coito interrompido

Quando praticado perfeitamente, a taxa de falha do coito interrompido gira em torno de 4%, bem maior que alternativas como a pílula anticoncepcional (0,1%), o DIU hormonal (0,1% a 0,2%) ou de cobre (0,6% a 0,8%). A grande questão para a baixa eficácia é que o método depende do comportamento da pessoa com pênis: ela precisa conhecer muito bem como seu corpo funciona e ter autocontrole. Em outras palavras, perceber o momento que antecede a ejaculação, gozar fora da vagina e longe da vulva. Quem já tem diagnóstico de ejaculação precoce, portanto, não deve adotar o coito interrompido.

O risco de gravidez com esse método diminui se a pessoa com vagina tiver um ciclo menstrual regular e fizer a chamada “tabelinha” para identificar o período fértil, evitando sexo com penetração nesses dias. Além disso, a comunidade científica não chegou a um consenso sobre o líquido pré-ejaculatório (aquela “baba” que sai do pênis durante a excitação).

Alguns estudos afirmam que ele não contém espermatozoides, enquanto outros defendem que sim – em pequenas quantidades. O mais recomendado ainda é urinar antes do sexo para limpar a uretra de possíveis remanescentes. Como o coito interrompido necessita de muito controle, se o sexo for cheio de entusiasmo, sob uso de álcool ou drogas... a retirada do pênis pode não acontecer a tempo. Nessas situações, vale considerar a pílula do dia seguinte e a necessidade de profilaxias pós-exposição (tomar medicações para reduzir o risco de infecções – por exemplo, HIV).

Aliás, o coito interrompido não protege contra infecções sexualmente transmissíveis como clamídia, gonorreia, sífilis e HPV porque basta o contato de pele com mucosa. No mundo ideal, a tática do “gozar fora” seria uma alternativa apenas para casais que topam fazer exames de sorologia periodicamente e já tiveram uma conversa franca sobre como agiriam diante de uma gravidez não-planejada. O coito interrompido é “melhor do que nada”, mas está longe de ser o método mais seguro em todos os sentidos. 

Impacto na resposta sexual  

Algumas pessoas com pênis praticam o coito interrompido desde a adolescência. Isso pode gerar ansiedade em relações sexuais futuras. Por medo de engravidar a parceria, não conseguem ejacular dentro da vagina (às vezes mesmo usando camisinha). Ao invés de relaxar, ficam hiper vigilantes durante o sexo para tirar o pênis na hora certa. Com isso, a sensação de prazer sexual acaba condicionada e prejudicada, podendo levar a disfunções sexuais como ejaculação retardada.

Para algumas pessoas com vagina, o coito interrompido pode gerar uma frustração, como se faltasse algo a mais (a ejaculação dentro de seu corpo); causar fobia, quando existe um medo grande de gravidez não desejada (afinal, está refém do controle alheio); dificultar o orgasmo, se a retirada do pênis acontece antes do pico máximo de sua excitação.

Há quem defenda que o coito interrompido seria uma forma de as pessoas com pênis participarem da contracepção, responsabilidade que culturalmente recai sobre as pessoas com útero e vagina. Mas será que vale o estresse e o risco de depender de outra pessoa... quando as consequências costumam ser unilaterais? 

Foto: iStock

 

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