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Sexo e drogas: entenda a prática (e os riscos) do Chemsex

Uso de substâncias psicoativas como Poppers e GBL estão na moda para “turbinar o prazer”. Quais os efeitos no corpo e os perigos à saúde?

Por Theo Alarcon

“Chemsex” ou “chemical sex” significam sexo químico, em tradução livre do inglês. A prática de atividades sexuais sob influência de substâncias psicoativas recebeu esse nome no contexto de festas liberais, nas quais transar é permitido. Nelas, alguns homens que fazem sexo com homens utilizavam drogas para expandir e potencializar o tesão – desde sustentar a ereção com múltiplas parcerias até realizar fantasias sexuais mais intensas.

Mas o chemsex vai além do cenário urbano LGBTQIA+: acontece também entre casais heterossexuais e, por vezes, de forma habitual. Basta pensar, por exemplo, que o álcool e a maconha são frequentemente utilizados com o intuito de relaxamento e expansão dos sentidos que geram prazer. No entanto, essas não são as drogas mais usadas e associadas ao chemsex.

Tipos de drogas e seus efeitos no corpo

As principais substâncias psicoativas usadas no sexo químico são a Metanfetamina ou “Tina” (psicoestimulante que aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, causando euforia e excitação), a GHB ou “Gi” (substância anestésica com efeitos adversos que provocam relaxamento e desinibição), o Ectasy ou “bala” (que favorece o desejo sexual e a sensibilidade).

O Poppers, também chamado de “droga do amor”, assim como o GBL (gama-butirolactona) e a cocaína estão “na moda” entre praticantes de chemsex. Muitas vezes essas drogas são utilizadas em combinações para sessões de sexo com duração prolongada e/ou com múltiplas parcerias, além práticas como o fisting (penetração da mão ou antebraço no ânus ou na vagina) e a dupla penetração.

Benefícios x Riscos

O uso dessas drogas parece funcionar bem durante um tempo, mas o consumo frequente condiciona a pessoa a sentir-se sexualmente satisfeita somente sob efeito de determinada substância. Além de agirem no sistema dopaminérgico de forma supra fisiológica (acima do nível de produção natural do corpo), elas fazem com que o organismo precise de doses cada vez maiores para alcançar o prazer desejado...

Portanto, aumentam a probabilidade de riscos à saúde e a dependência química. Se praticantes de chemsex se colocam numa situação vulnerável, com seus sentidos e capacidade de raciocínio alterados pelas substâncias, então alternativas como o controle de risco e a redução de danos podem proporcionar práticas com menos perigos à saúde física e mental.

Controle de riscos e Redução de danos

É importante adotar estratégias (mais) seguras na prática de chemsex, tais como:

  • Reconhecer os próprios limites;
  • Estar na companhia de pessoas conhecidas e de confiança;
  • Não utilizar ou misturar substâncias sem conhecer seus efeitos;
  • Estabelecer combinados com a(s) parceria(s) antes das sessões de sexo;
  • Usar PREP (profilaxia pré-exposição) e PEP (profilaxia pós-exposição) para se proteger contra o vírus HIV, caso seja uma pessoa usuária/assídua de chemsex;
  • Usar camisinha interna/externa para prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Estamos tratando do uso CONSENTIDO de substâncias psicoativas por pessoas ADULTAS. Dar nome e pautar essas práticas sexuais faz com que seja possível discutí-las, não a partir de uma avaliação moral, mas de uma perspectiva mais realista. Inclusive porque, de modo geral, o uso de medicamentos psiquiátricos que viabilizam atividades de vida diária é crescente - com o sexo não é diferente. A percepção do prazer sexual está na mente humana, onde também moram todas as outras questões.

 

*Foto: Pexels / Mart Production

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