Uma mulher oriental e um homem negro estão deitados na cama com um cachorrinho entre eles. Ambos estão mexendo em seus celulares.

Casamento sem sexo sobrevive? O que fazer? Como se reaproximar?

Terapeuta de casais reflete sobre as relações amorosas que se tornam fraternais – e indica como resgatar a conexão sexual com a parceria

Por Eduardo Yabusaki

Mais pessoas do que você imagina se queixam de ter um “casamento assexuado” e confessam em meus atendimentos como terapeuta de casais: “Somos casados, mas vivemos como amigos”. Querem saber se existe algum número de relações sexuais que separa uma vida sexual ativa de um relacionamento íntimo falido – “menos de uma transa por mês?”. Aviso que não se trata de quantidade, mas sobre a incapacidade do casal de lidar com a questão... A falta de sexo pode esconder outras faltas.

Os relacionamentos passam por diferentes fases em seu processo de estabelecimento, construção e desenvolvimento, mas nem sempre as pessoas têm essa compreensão sobre a vida conjugal. Não é incomum observamos relacionamentos duradouros, com uma convivência boa e satisfatória, mas distanciamento íntimo e sexual. As parcerias passam a viver uma relação fraterna, sem grandes sobressaltos emocionais ou intensidade afetiva.

*Leia mais: Descompasso íntimo: existe frequência sexual ideal?

Esse processo de acomodação no casamento ou em uma relação estável é bastante comum. Ele induz à ideia de que nada mais precisa ser cuidado e o namoro deixa de ser essencial, o que influencia diretamente na vivência da sexualidade (distanciamento do casal). Na realidade, deveria ser exatamente o inverso: quanto mais tempo juntes, maior deve ser a atenção, o zelo e a dedicação entre as parcerias para que o relacionamento esteja sempre em primeiro plano.

É natural que, com o tempo e a estabilidade do relacionamento, a frequência sexual diminua. E não há quantidade certa ou errada! Cada pessoa e cada parceria estabelece um ritmo ideal de acordo com a sua realidade, o seu contexto de vida. Mas, para um casal que costumava ser sexualmente ativo, ficar sem sexo não é algo bom ou saudável. Ainda que seja uma escolha, acredito que ela deva ser bem refletida.

*Leia mais: Convivência na pandemia diminuiu o seu desejo sexual?

Em geral, a ausência de sexo é o sintoma de algo mais profundo na dinâmica da relação. Esse distanciamento íntimo e sexual pode indicar que uma situação ou um sentimento mal resolvido para uma pessoa – ou para ambas. A intimidade é fundamental no relacionamento e o sexo deveria ser saudável, prazeroso e positivo na vida conjugal.

Essas condições desfavoráveis podem inclusive levar a disfunções sexuais até então não manifestadas, como falta de desejo sexual, disfunção erétil, dificuldades com orgasmo. Evidente que uma relação de amizade e fraternidade no relacionamento amoroso contribuem muito para uma convivência harmoniosa e agradável, mas não bastam para o exercício da sexualidade – ou seja, para que o sexo aconteça e flua bem. 

*Leia mais: É difícil tomar a iniciativa sexual?

Se o sexo deixa de fazer parte do casamento, é preciso avaliar as causas para encontrar possíveis saídas. Dá para reverter esse cenário, desde que as duas parcerias se incomodem com a falta de sexo, desejem retomar o contato íntimo e busquem ajuda profissional (a exemplo da terapia de casal ou da terapia sexual).

O sucesso desse resgate sexual depende da exploração dos pontos a seguir:

  1. Reconhecer que houve um distanciamento sexual e manifestar a vontade de superar essa barreira. O processo de reaproximação e interação íntima necessita do esforço e do empenho das duas pessoas.
  1. Ambas devem estar receptivas às mudanças. Para que o relacionamento íntimo seja transformado, cada parceria terá que processar mudanças do seu jeito e no seu tempo (mas com proatividade!).
  1. Disponibilidade para explorar a sensualidade e a eroticidade juntes. O enamoramento e a sedução têm um papel importante nesse reencontro sexual. A chave está em adotar pequenas atitudes nas situações cotidianas – como um elogio, uma mensagem picante, uma massagem à luz de velas...

Diante de qualquer bloqueio ou dificuldade sexual, não hesite em buscar orientação profissional especializada. Esse passo pode fazer a diferença entre uma vida íntima insatisfatória e um relacionamento plenamente satisfeito!

*Foto: Pexels / Kentut Subiyanto

Voltar para o blog

Deixe um comentário

Os comentários precisam ser aprovados antes da publicação.