Duas mulheres brancas estão debruçadas sobre uma mesa redonda, enquanto seguram taças de vinho. Elas estão prestes a se beijar na boca.

Caiu na rotina? Como recuperar o tesão no relacionamento

Sexóloga explica por que a chama da paixão apaga e dá dicas para esquentar a vida sexual dos casais de longa data

Por Théa Murta

No início do relacionamento, o tesão costuma ser intenso e constante. As pessoas mal se veem e já estão se beijando, se amassando e fazendo aquele sexo delicioso. Esse desejo espontâneo fica orbitando ao redor do casal enquanto a paixão está aflorada. Conforme o tempo passa e a relação se consolida, elaborando planos para o futuro juntes, aquele tesão de antes tende a diminuir e começa a ser vencido pela preguiça... Será que tem algo de errado ou o relacionamento só caiu na rotina? Quais os segredos para reacender a chama?

Como psicóloga e sexóloga, posso garantir que essa situação não é nada incomum. Existe uma idealização romântica exacerbada de que o sexo continue como era no início do relacionamento. Quando isso não acontece (e não vai acontecer mesmo), aparece a frustração, a sensação de inadequação e até uma insistência para se reaproximar do passado. E eu entendo! A fase do início é muito gostosa e especial - mas está atrelada diretamente à paixão...

*Leia mais: Beijo de língua é fundamental para despertar (e manter!) o desejo sexual

Durante o período de apaixonamento, a chama do tesão fica mais acesa e de maneira espontânea porque os hormônios ligados ao prazer estão em ebulição dentro da gente. Tudo é lindo, intenso, desejante. Queremos viver no grude, ficamos com saudade se nos afastamos por poucos dias, dedicamos um tempo para estar com aquela pessoa de forma especial (spoiler!), pensamos nela e no próximo encontro (outro spoiler!). Tudo isso cria um ambiente extremamente favorável ao desejo sexual.

A grande questão é que uma hora a paixão acaba. De acordo com estudos científicos, a partir de mais ou menos dois anos de relacionamento, ela cessa e dá espaço para sentimentos de segurança, estabilidade, previsibilidade e confiança. Embora sejam o oposto da paixão, eles caminham na direção do amor e são essenciais para relacionamentos a longo prazo. A intensidade precisa sair de cena para que a calmaria possa se estabelecer.

*Leia mais: Libido feminina – Entenda o que é desejo responsivo

Agora não é porque a paixão cessou que precisamos cessar a dedicação pela parceria – ainda que ela seja adaptada ao contexto atual. Na minha experiência clínica, percebo que algumas atitudes ou comportamentos ajudam na aproximação do casal, criam mais desejo e intimidade sexual. Não basta esperar o tesão espontâneo ou estalar os dedos quando quiser sexo, mas cuidar da manutenção do desejo responsivo para que a pessoa esteja mais aberta quando houver uma oportunidade para transar.

Em outras palavras, o desejo carece ser alimentado e construído no cotidiano. Muitas vezes o casal deixa de fazer o básico, não se empenha de forma individual e mútua para melhorar a vida sexual. Agem apenas minutos antes do sexo – como vestir uma lingerie sensual ou oferecer uma massagem nas costas. A erotização acontece também nos pequenos detalhes, na convivência diária, na dedicação e na troca. Além da diminuição natural da paixão, a vida muda constantemente e não somos mais aquela pessoa de anos atrás. Então como querer que o sexo se mantenha do jeitinho que era em outras fases?

*Leia mais: Brecha orgástica – Por que as mulheres têm menos prazer no sexo?

A nossa libido e abertura para o sexo também pode ser afetada por fatores como estresse, dinâmica do relacionamento, problemas de saúde, cansaço, rotina intensa, problemas financeiros, baixa autoestima, ansiedade, depressão, entre outros... Nem sempre o desejo sexual será nossa prioridade – e tudo bem! Mas existem alguns caminhos possíveis para o casal (re)construir um campo erótico prazeroso e com tesão.

Dicas para o casal ter uma vida sexual ativa e feliz

  • Mais beijos caprichados na boca no dia a dia e sem ser necessariamente um convite para transar - na hora de dormir, em algum momento no sofá, ao se despedir... Não valem aqueles selinhos sem graça! Muitos casais só se beijam de língua durante o sexo;
  • Tomar um banho bem gostoso juntes, conversando, ensaboando a parceria, percebendo o seu corpo e o da outra pessoa. Que tal colocar uma música, aromas, velas, meia luz? É apenas um convite para curtirem a companhia de quem amam de um jeito diferente;
  • Combinem (na agenda!) um tempo de qualidade juntes. Pode ser um jantar, ir a um bar, dançar, conversar, jogar um jogo, ver um filme... É o básico que o casal vai deixando de lado quando a rotina aparece;
  • Conversem sobre a vida sexual de vocês: se algo incomoda, se gostariam de fazer diferente, se têm uma fantasia sexual etc. Escute sua parceria e pensem em como vocês podem lidar com a questão;
  • Estabeleçam uma dinâmica saudável em relação às tarefas domésticas e cuidados com as crianças, as finanças etc. Sobrecarga mental e física podem desencadear baixa de libido e distanciamento do casal;
  • Aceitem que muitas vezes a parceria não vai suprir todos os seus desejos, fantasias e expectativas (vice-versa). Estar em um relacionamento é também lidar com faltas e compreender o nosso limite e o limite da outra pessoa.

Quanto mais favorável for o ambiente no dia a dia, mais as pessoas terão abertura e disposição para transar. Sexo começa antes do sexo! Isso é inegável e inegociável! 

*Foto: Pexels / Cottonbro

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