Duas mulheres brancas de cabelos compridos estão enroladas em uma bandeira LGBT+ e se beijam de língua no meio da rua.

Beijo de língua é fundamental para despertar (e manter!) o desejo sexual

Além de uma demonstração de afeto no dia a dia, a prática diz muito sobre a conexão erótica do casal...

Por Théa Murta

Nos anos 2000, muita gente se divertiu ao som de um funk que era hit nas rádios e nas festas: “Beijo na boca é coisa do passado / agora a moda é namorar pelado!”. Se os versos fazem sentido na pista de dança (eu mesma desci até o chão!), não dá para dizer o mesmo sobre o que acontece entre quatro paredes. Como desconsiderar uma das principais formas de conexão, desejo e excitação? O bom e velho beijo – com língua, diga-se de passagem! – é fundamental para um sexo íntimo e prazeroso. Seja numa transa casual, no início de uma relação amorosa ou quando ela já está estabelecida há anos.

Beijar na boca não é apenas uma demonstração de afeto, mas também de entrega ao momento e de química com a parceria. O contato entre os lábios e a troca de saliva libera dopamina, um neurotransmissor responsável pelo prazer, pela atração, pelo amor... Bem dado, o beijo de língua funciona como um gatilho sexual e uma ótima preliminar – especialmente para as pessoas com vagina, que precisam de mais tempo e estímulos para alcançar o orgasmo no sexo. Ou seja, o Furacão 2000 que me desculpe, mas beijo na boca “é coisa do presente” e deveria ser muito mais presente no cotidiano dos casais.

O sexo começa antes de as pessoas tirarem a roupa para “namorarem peladas”. Nos encontros casuais, começa na sedução, na troca de mensagens e olhares, em todo o processo de conquista daquela pessoa que despertou interesse. Nos relacionamentos estáveis, a relação sexual começa no carinho e no respeito do dia a dia, no companheirismo, na construção do campo erótico em meio à rotina (por exemplo: banho juntes, uma massagem, um jantar romântico e, principalmente, com beijos na boca). O sexo quase nunca é espontâneo como imaginamos, mas consequência de um conjunto de atitudes mútuas ao longo de horas ou dias.

Em meus atendimentos com psicoterapia sexual, investigo a dinâmica afetiva e erótica das pessoas. Não é incomum encontrar casais - com diferentes status de relacionamento - que mal se beijam na boca. Aliás, nesses casos, geralmente quase não existem carícias e estimulações sexuais antes da penetração. O sexo acaba reduzido ao movimento do pênis dentro da vagina ou do ânus. Infelizmente, muitas vezes o hábito de beijar de língua acaba substituído pelo selinho sem graça. O beijo de língua acaba virando sinônimo de sexo. E aí entramos em outro problema...

Se a parceria não deseja transar, ela se esquiva do beijo porque sabe a intenção por trás dele. Com isso, perde a chance de o desejo responsivo e a excitação surgirem. Mas para retomar um hábito antigo é preciso dar o primeiro passo, certo? Até que um beijo na boca seja apenas um beijo na boca, uma carícia seja apenas uma carícia, uma massagem seja apenas uma massagem. Não precisa significar um convite para o sexo ou a obrigação de transar! Assim você pode relaxar e desfrutar cada momento. A soma deles certamente aumentará a conexão com a parceria, além de levar a um sexo mais prazeroso e potente.

Que tal tascar um beijão de língua na sua parceria agora (ou assim que possível)?

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