Uma mão com unhas pintadas de vermelho segura a metade de uma laranja e algumas gotas escorrem da fruta.

Baba baby: por que a lubrificação vaginal é tão importante no sexo?

A secreção que “denuncia” o tesão varia ao longo do ciclo menstrual e da vida. Com determinadas parcerias sexuais também...

Por Teresa Embiruçu

A vagina é um ambiente úmido por natureza: secreções, fluidos ou resíduos são perfeitamente normais – embora tantas pessoas se incomodem com eles. Como ginecologista, o que mais me preocupa é exatamente o oposto... A secura vaginal, seja no dia a dia ou no contexto da relação sexual, traz consequências bastante desagradáveis (dor na penetração, por exemplo). Mas, antes de entrar nesse tópico, precisamos diferenciar a secreção habitual da lubrificação vaginal que sinaliza excitação. Qual a origem, a aparência e a função de cada um?

A secreção vaginal geralmente é um líquido claro ou branco, sem cheiro, produzido tanto pelo colo do útero quanto pela vagina. Sua quantidade pode variar entre as pessoas e também de acordo com a fase do ciclo menstrual. Quanto mais próxima da ovulação (período fértil), mais molhada a vagina tende a ficar. Isso porque os hormônios estrogênio e progesterona provocam a “fabricação” do muco cervical – de aspecto turvo ou branco, escorregadio ou pegajoso. O corpo se prepara para receber espermatozoides e facilitar o trabalho deles até o óvulo (mesmo que uma gravidez não seja a sua intenção ou não haja um pênis no sexo).

Ter intimidade com a própria secreção vaginal é muito importante. Observe a cor, a consistência e o odor usuais. Assim você será capaz de perceber mudanças nessas características e, a partir de um corrimento realmente estranho ao seu corpo, investigar se está com algum tipo de infecção. Além disso, pessoas que se conhecem (e se tocam) ganham segurança e auto-confiança para as experiências sexuais. Sentir vergonha ou nojo de algo absolutamente fisiológico é que não é natural!

Existe também a lubrificação vaginal que surge da excitação, ou seja, quando há estímulos eróticos suficientes. Sua quantidade varia de pessoa para pessoa, assim como de uma relação sexual para outra. À medida que você fica com tesão, aumenta o fluxo sanguíneo na parede vaginal e esse fluido lubrifica todo o canal. A única função dele é permitir uma atividade sexual confortável e com menos atrito na penetração (de pênis, dedos ou objetos como vibradores). Muitas vezes, a dor no sexo ocorre pela falta de lubrificação adequada.

Aqui vale dizer que a excitação não se resume a ter ou não lubrificação vaginal. O corpo se manifesta por meio de uma série de alterações: aumento da frequência cardíaca, suores, vermelhidão, ereção dos mamilos e várias contrações musculares (inclusive da face). O simples fato de se perceber nesse estado pode desencadear mais lubrificação. Então por que algumas pessoas com vagina não umedecem bem em determinado momento da vida, com determinadas parcerias ou em episódios isolados?

Conforme envelhecemos, a produção de lubrificação vaginal durante as relações sexuais tende a diminuir porque a mucosa vaginal fica mais fina e chega menos fluxo sanguíneo na pelve. É a chamada atrofia vaginal, frequente no período da menopausa. A amamentação e o uso de pílulas contraceptivas por muito tempo também afetam negativamente essa lubrificação erótica. No entanto, é possível solucionar a questão se o casal dedicar mais tempo e empenho às preliminares. Não focar apenas nos genitais, mas buscar sensações excitantes por todo o corpo e novas fantasias...

As parcerias devem entender o papel fundamental da lubrificação vaginal no sexo – especialmente se houver penetração. Investigue como anda o seu desejo sexual, a erotização do casal, as carícias recebidas. Se a vontade de transar estiver baixa e os estímulos não forem interessantes, a lubrificação não vai surgir do nada! Agora, em certas fases da vida, por que não usar um lubrificante? Vocês não precisam “parar” o sexo para aplicá-lo de forma mecânica, mas introduzir o produto em uma massagem erótica, na masturbação mútua...

Prefira os lubrificantes à base de água, com menor probabilidade de causar irritação. Óleos de coco e sementes de uva são alternativas naturais, mas podem danificar o látex da camisinha – ou seja, arriscado. Para casos mais crônicos de ressecamento vaginal e dor na penetração, existem hidratantes vaginais (por exemplo, com ácido hialurônico), cremes com estrogênio e terapia com laser vaginal. Não se limite a uma vida sexual árida e desconfortável. Uma lubrificação adequada já é meio caminho andado para ter orgasmos e prazer sexual. 

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