Uma mão segura uma pequena vulva feita de massinha marrom

Anatomia íntima: não confunda vulva com vagina!

Além dos nomes corretos de cada parte da genitália feminina, você precisa saber a localização e a importância do clitóris

Por Laíse Veloso

Recentemente um concurso para eleger “a vagina mais bonita do Brasil” recebeu críticas nas redes sociais por reforçar a ideia equivocada e preconceituosa de um padrão de beleza íntima. Assim como as pessoas possuem diferentes tipos físicos, existem variações absolutamente normais para a VULVA. Essa região da genitália feminina* é popularmente denominada de xoxota, pepeca, buceta e até vagina – que é apenas a parte interna dessa estrutura, como veremos a seguir. 

A vulva é o conjunto de toda a área externa do genital, rica em gordura e geralmente coberta por pelos. Pode ser mais plana ou volumosa, além de sofrer mudanças de acordo com a fase da vida. Nela encontram-se os lábios genitais externos e internos (antigamente chamados de grandes e pequenos lábios vaginais). Os lábios externos têm tecido de gordura e pelos mais grossos, enquanto os lábios internos são mais finos, sem pelos e de tamanho extremamente variável.

Na infância, os lábios internos são pequenos e rosados. Após a puberdade, a região passa a ter pelos e os lábios genitais se diferenciam mais. Na fase adulta em idade reprodutiva, as pessoas com vulva costumam ter lábios internos úmidos, enrugados e mais compridos que os lábios externos. A partir da menopausa, sentem o impacto do déficit do hormônio estrogênio: há atrofia genital, com diminuição do tamanho dos lábios internos, coloração mais pálida e mucosa mais seca.

Entreabrindo os lábios internos vemos o vestíbulo, uma área de mucosa úmida com duas aberturas. O primeiro orifício é tão pequeno que muitas pessoas têm dificuldade de visualizar ou até mesmo desconhecem sua existência: trata-se da saída da uretra, local por onde sai o xixi. Logo em seguida há um orifício maior, a entrada da vagina. Bem ali temos o hímen, uma dobra de pele que forma uma espécie de coroa.

Antes da puberdade, ele costuma ser liso e ter um orifício no meio. Com as mudanças hormonais próprias do crescimento, o hímen fica mais espesso e com um orifício maior no centro. No entanto, existem muitos formatos diferentes de hímen e raramente ele fecha por completo a entrada da vagina. Por isso nem sempre ocorre sangramento na primeira penetração vaginal – na maioria das vezes, ao contrário do que se imagina, não há uma membrana a ser rompida.

Mas e a vagina em si? Ela é um canal fibromuscular que se estende da vulva até o colo do útero. Não se trata de um “tubo” sempre aberto: as paredes vaginais ficam justapostas, coladinhas, protegendo seu interior. O canal tem propriedades autolimpantes e um pH ideal para a manutenção da flora vaginal saudável, portanto você não precisa (nem deve!) limpar lá dentro. Elástica, a vagina mede entre 7cm e 9cm, mas se distende facilmente para permitir a penetração de um pênis, vibrador ou dispositivo médico – e inclusive para a saída do bebê durante o parto.

Depois de um alongamento, a vagina volta ao estado original com o fechamento de suas paredes. Muitas mulheres cis se queixam de “vagina larga” devido aos partos ou à medida que envelhecem, mas não é que ela aumente de tamanho. A diminuição do colágeno da mucosa vaginal e o enfraquecimento dos músculos íntimos é que provocam essa sensação. Treinamento muscular do assoalho pélvico (de preferência sob supervisão profissional especializada) e aplicação de laser ou radiofrequência (para estimular a produção de colágeno na região íntima) podem solucionar o problema. 

Prazer, clitóris 

Na parte superior da vulva, no encontro entre os lábios genitais, está o ponto mais sensível e poderoso da genitália feminina*. O clitóris é muito maior do que aquele botãozinho visível de 0,5 a 3,5 cm. O órgão, em formato de Y invertido, se expande bilateralmente no interior da vulva até bem próximo do canal vaginal. Mais de 8mil terminações nervosas são responsáveis por proporcionar sensibilidade – especialmente em sua glande.

O clitóris é o principal interruptor do orgasmo em pessoas com vulva, seja pela estimulação externa (masturbação, sexo oral, fricção entre corpos etc) ou interna (penetração de dedos, pênis, vibradores). Esse é um dos motivos pelos quais não faz sentido diferenciar os tipos de orgasmo, separando entre vaginal e clitoriano. Orgasmo é orgasmo! A sensação de prazer máximo que ocorre no ápice da estimulação erótica, independente da via de estimulação.

Quando a pessoa com vulva fica excitada, aumenta a circulação sanguínea na região genital e o clitóris quase dobra de tamanho, além de ficar ingurgitado (ereto). O vestíbulo e os lábios internos ganham uma cor arroxeada, o canal vaginal se alonga e aumenta a lubrificação em seu interior. Tudo para facilitar e tornar mais prazerosa uma eventual penetração. Incrível, não? Agora que tal pegar um espelhinho e identificar cada uma dessas partes do seu corpo? Autoconhecimento genital é saúde e autocuidado!

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