Um homem branco, de barba e cabelos na altura dos ombros, está sentado comendo uma ostra. Ele usa óculos escuros e uma camisa azul de botões, aberta até o meio peito.

Alimentos afrodisíacos melhoram mesmo a vida sexual?

De ostras à chocolate, o cardápio de “estimulantes naturais” promete aumentar a libido, facilitar a ereção, retardar a ejaculação...

Por Marina Zaneti

A relação entre alimentos e desejo sexual tem ingredientes míticos, uma pitada de psicanálise e um gostinho de neurociência. Você já deve ter ouvido falar em “estimulantes naturais” para “aumentar a libido, melhorar a performance na cama e apimentar a relação”. Entre os mais citados estão: ostras, chocolate, canela, pimenta, amendoim, ovo de codorna, gengibre... Mas será que eles funcionam mesmo? De onde vem essa história de alimentos afrodisíacos?

O termo afrodisíaco tem origem na mitologia grega e remete à Afrodite, deusa do amor e da sedução. Nessa cultura, os alimentos teriam características físicas, propriedades nutricionais e sensoriais – sendo transformados em simbologias e crenças associadas aos relacionamentos e ao sexo. A romã era associada à fertilidade pela abundância de sementes, por exemplo. Nos casamentos gregos, a noiva deveria tomar uma colher de mel para que saíssem apenas palavras doces de sua boca (o machismo não é de hoje...).

No século 20, o médico e criador da psicanálise Sigmund Freud afirmou que o prazer oral (oralidade) existe desde o início da vida, quando bebês obtêm o alimento não apenas para sua sobrevivência física, mas como elemento de construção do afeto. Essa fase é parte do desenvolvimento do que, mais tarde, chamaremos de “prazer” (com a conotação adulta). Muitas pessoas crescem e seguem buscando nos alimentos essa reconexão com o peito materno, com suas vivências afetivas e, primordialmente, com sua própria essência.

Mas o que diz a ciência sobre os alimentos afrodisíacos?

Em termos gerais, os alimentos afrodisíacos podem ser classificados em quatro grandes grupos. Para cada um deles, há uma hipótese fisiológica sobre sua capacidade de despertar o desejo, aumentar a excitação física e até melhorar a produção de espermatozoides. Ainda não existem tantas evidências científicas sobre esse assunto, mas o que podemos dizer:

- Alimentos vasodilatadores têm potencial de melhorar o fluxo de sangue nos genitais, aumentando a fase de excitação e favorecendo pessoas com disfunção erétil ou dificuldades na lubrificação vaginal. Exemplos: temperos como pimenta, canela, coentro, manjericão, cardamomo, alho; frutas como romã, melancia e frutas vermelhas; alimentos ricos em antioxidantes como vinho tinto, azeite de oliva, castanhas, abacate). por serem ricos em flavonoides e betacarotenos.

- Alimentos termogênicos aumentam a temperatura corporal e aceleram o metabolismo. Pesquisas já apontaram, por exemplo, uma correlação altamente significativa entre o uso terapêutico de cafeína e melhora nos quadros de ejaculação precoce (aumentando o tempo de penetração sem ejaculação), assim como no índice de satisfação sexual. A cafeína está presente no café, no pó de guaraná e no gengibre. A xanteína, também termogênica, é encontrada nos chás.

- Alimentos que melhoram o humor e atuam especialmente na produção de serotonina, um neurotransmissor que dá sensação de bem-estar. São exemplos os alimentos ricos em frutose, o açúcar presente nas frutas e no mel. Dentro deste grupo também está o chocolate, rico em um composto precursor da dopamina, outra substância química relacionada ao prazer. Ele provoca efeitos como aumento do prazer sexual, especialmente em mulheres.

- Alimentos ricos em minerais como zinco e magnésio, importantes para a produção de testosterona. São as ostras, quiabo, sementes de abóbora, pinhão, grão de bico e castanha de caju. Também se destaca a planta Tribulus terrestris, usada nas tradições indiana e chinesa como medicamento para melhorar a sexualidade das pessoas com pênis. Estudos mostraram que os ingredientes ativos nessa erva melhoram a produção de esperma e aumentam os níveis de testosterona, LH e DHEA. Em outro estudo, com mulheres cisgênero, houve melhora significativa no desejo, excitação, lubrificação, satisfação sexual e dor.

Outra planta bastante conhecida por suas propriedades afrodisíacas é a maca peruana, que cresce no centro dos Andes, e está sendo comercializada em forma de pó ou cápsulas para aumentar a disposição física – e sexual. Se ela realmente funciona? Estudos científicos que avaliaram os efeitos da maca peruana em animais concluíram que houve melhora da função erétil, assim como aumento da frequência de acasalamento. E uma pesquisa com pessoas apontou melhora do desejo sexual.

Como psiquiatra especializada tanto em sexualidade quanto nutrição, acredito que os alimentos trazem o prazer da mesa à cama, num elo intrínseco com a saúde física e sexual. Sejam eles afrodisíacos ou não. Então, escolha bem o que você come: acrescente sempre elementos novos, combinando cores, aromas e texturas. No prato ou no sexo, saborear novas sensações faz parte da diversão.

Fontes:

1- IsHak, W. W., Clevenger, S., Pechnick, R. N., & Parisi, T. (2017). Sex and Natural Sexual Enhancement: Sexual Techniques, Aphrodisiac Foods, and Nutraceuticals. The Textbook of Clinical Sexual Medicine, 413-432.

2- Oliveira, L. B. D. (2020). Alimentos afrodisíacos: levantamento bibliográfico da produção científica nacional.

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