Dois homens brancos, de barba e terno estão de mãos dadas e se beijam diante de outras pessoas.

A monogamia não é natural, mas uma escolha individual

Os relacionamentos deveriam começar com uma conversa honesta sobre exclusividade sexual

Por Café com Pimenta

A monogamia é a condição de exclusividade que se estabelece com alguém em um relacionamento amoroso – seja por toda a vida ou durante um determinado período. Você pode ser uma pessoa monogâmica em diversos casamentos, por exemplo. Embora esse tipo de contrato seja predominante em nossa cultura ocidental, há algumas décadas persiste a discussão sobre o assunto: o ser humano é realmente monogâmico por natureza? Nascemos para amar e desejar uma pessoa de cada vez? 

Hoje existe muito mais abertura para questionar se a monogamia é uma construção social e romântica para a qual as pessoas são moldadas desde a infância. Quantos filmes que você assistiu terminaram com “felizes para sempre”? Na vida real, pesquisas científicas revelam que poucas espécies animais escolhem uma única parceria para o resto da vida. Imagine se a regra se aplica ao ser humano e toda a sua complexidade emocional...

É interessante que, mesmo em relações monogâmicas estáveis e satisfatórias, o ímpeto sexual por outras pessoas existe. Muitas vezes, ele leva a infidelidades e decepções. Em outras, a transgressão de viver experiências proibidas é contida na marra, cobrando depois pela frustração. No ótimo livro “Casos e Casos: Repensando a Infidelidade”, a terapeuta de casais Esther Perel nos convida a refletir sobre o preço de ser (ou não) fiel às próprias vontades.

Existem algumas explicações históricas para o surgimento da monogamia séculos atrás, como o aparecimento da propriedade privada. A união exclusiva entre um homem e uma mulher passa a fazer sentido para garantir a posse das terras e dos bens materiais, assim como a herança a filhos legítimos. Mais tarde, a preocupação com doenças sexualmente transmissíveis também incentivou relações monogâmicas. Ou seja, é possível que muitas pessoas não tenham “pulado a cerca” por medo, não por falta de vontade.

Apesar de atualmente estarmos mais dispostos a dialogar sobre diferentes modelos (como o não-monogâmico, o poliamoroso etc), a monogamia ainda é muito presente em nossa sociedade. Vemos muitos relacionamentos pautados no controle, em que as pessoas exigem justificativas para quase tudo, não raro com contornos tóxicos e abusivos. Supõe-se que isso elimina os “perigos” e protege o ideal “até que a morte nos separe”.  

A verdade é que somos livres, inclusive em pensamento. Ninguém pode controlar o que ou com quem você fantasia, por exemplo. Se a monogamia é uma construção social e existem outras formas de se relacionar, por que não escolher deliberadamente? Seria mais razoável que as pessoas se comunicassem com clareza no início do relacionamento sobre o que faz sentido nesse arranjo entre elas. Diz o ditado que “o combinado não sai caro”.

Todos os modelos de relacionamento têm vantagens e desafios. Na monogamia, há o contrato de fidelidade, mas a rotina sexual pode levar ao tédio. Nas relações abertas, há novidade sexual sem culpa ou mentiras, mas nem sempre é fácil administrar tantas emoções (rejeição, ciúmes etc). É bom lembrar que você e a sua parceria correm o risco de se apaixonar por outras pessoas estando em uma relação monogâmica ou não...

Nesses tempos em que a diversidade ganha força em todos os aspectos sociais, há cada vez menos necessidade de se encaixar em algum padrão. Do mesmo jeito que você não precisa casar ou ter filhos para ter sucesso na vida, você não precisa estar em uma relação monogâmica para ser feliz. Portanto apenas viva as suas escolhas, experimente seus desejos com responsabilidade, respeite seu momento e seus limites, assim como os das suas parcerias.

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